A doutrina nuclear da destruição mútua assegurada

Quando o átomo foi dividido, uma caixa de Pandora foi aberta. Esse avanço científico permitiu o desenvolvimento da bomba atômica. Antes disso, a humanidade nunca possuiu uma arma tão destrutiva. Os Estados Unidos foram o primeiro país a desenvolver a bomba atômica com sucesso e a mostrar o seu grau de destruição quando lançou duas delas em Nagasaki (em inglês) e em Hiroshima (em inglês), no Japão. Outras nações também fizeram suas tentativas, afinal essa tecnologia nas mãos de somente uma nação poderia fazer com que esse país controlasse todo o resto do mundo.

Em oito anos, a URSS (em inglês) também tinha sua própria arma nuclear: a bomba de hidrogênio. [fonte: Murray (em inglês)]. O conflito ideológico entre o capitalismo e o comunismo (em inglês) sustentou tensões entre os EUA e a URSS, e esse prolongado conflito entre as nações se tornou conhecido como Guerra Fria. De 1947 até 1991, as nações construíram suas armas nucleares, cada uma expandindo seu arsenal longe uma da outra. Ficou claro que cada lado tinha construído e estocado tantos armamentos nucleares que os EUA e a URSS poderiam se destruir (e destruir o resto do mundo) muitas e muitas vezes. Eles chegaram a uma paridade nuclear, ou ao mesmo nível de capacidades destrutivas.

A nuvem em forma de cogumelo formada após a bomba atômica ser lançada
Dane Wirtzfeld © iStockphoto.com
A nuvem em forma de cogumelo formada após a bomba atômica ser lançada
 

O resultado disso foi a doutrina de estratégia nuclear da destruição mútua assegurada (MAD, na sigla em inglês), que surgiu em meados dos anos 60. Essa doutrina era baseada no tamanho dos arsenais nucleares de cada país e na relutância em destruir a civilização. A destruição mútua assegurada era um evento único na história. Nunca antes duas nações em guerra tiveram o potencial de destruir a humanidade apenas digitando alguns códigos no computador e acionando alguns botões. Ironicamente, foi esse poderoso potencial que garantiu a segurança do mundo: o potencial nuclear dessas armas era um impedimento para a guerra nuclear.

Como os EUA e a URSS tinham mísseis nucleares suficientes para apagar seu oponente do mapa, nenhum dos dois podia lançar fogo primeiro. Um primeiro movimento garantiria uma retaliação do outro lado. Por isso, lançar fogo seria suicídio: a primeira nação a lançar fogo teria sua população aniquilada, também.

A doutrina da destruição mútua assegurada impedia a guerra nuclear para ambos os lados. Nunca seria permitido a nenhuma das duas nações quebrar essa doutrina. E virtualmente garantiu também que não houvesse nenhuma outra guerra convencional diretamente entre as duas superpotências. Cedo ou tarde, as táticas convencionais, como mísseis não-nucleares, tanques e infantaria iriam acabar esgotando suas possibilidades, e chegaríamos à inevitável conclusão de que um ataque nuclear aconteceria. Uma vez que esse final era inaceitável tanto para os soviéticos como para os americanos, não era possível haver um conflito que levasse a essa conclusão.

Mas a destruição mútua assegurada não criou uma atmosfera que fizesse com que os primeiros ministros soviéticos e os presidentes americanos dessem as mãos e acabassem com todo o conflito. As nações não tinham confiança uma na outra, e tinham boas razões para isso. Cada lado estava ampliando o seu arsenal nuclear para continuar como uma parte igual na doutrina da destruição mútua assegurada. Uma trégua incômoda aconteceu entre os EUA e a URSS. Eles eram como dois inimigos armados, à deriva e sozinhos em um barco, cada um se recusando a cair no sono.

Portanto, a situação precisava mudar. Na próxima página, descubra como a proliferação nuclear foi controlada.