A fabricação de bebidas clandestinas começou bem no início da história americana. Logo após a Revolução (em inglês), os Estados Unidos se viram lutando para pagar a conta da longa guerra que tinham feito. A solução foi impor um imposto federal sobre todos os tipos de bebidas alcoólicas. O povo americano, que já tinha feito uma guerra para livrar-se dos impostos opressivos da Inglaterra (entre outros motivos), não ficaram muito satisfeitos. Então eles decidiram continuar fabricando seu próprio whisky, ignorando o imposto federal completamente.
![]() Foto cedida por National Parks Service A destilaria de whisky Blue Blazes em Catoctin Montain, Maryland, era uma grande operação comercial. Foram encontrados mais de 94 mil litros de mosto em 13 tonéis de 7 mil litros, quando foi feita uma batida policial no local, em julho de 1929. |
Para esses primeiros fabricantes de bebidas clandestinas, fabricar e vender álcool não era um hobby ou um meio de obter dinheiro extra: era um meio de sobrevivência. Os fazendeiros podiam sobreviver durante um ano ruim transformando seu milho no lucrativo whisky e a renda extra fazia com que a dura existência nos locais afastados se tornasse mais suportável. Para eles, pagar o imposto significava que não conseguiriam alimentar suas famílias. Os agentes federais (chamados de revenuers) eram atacados quando chegavam para arrecadar impostos e vários eram sedados e dopados.
Todo esse ressentimento finalmente explodiu em 1794, quando centenas de cidadãos irritados invadiram a cidade de Pittsburgh, Pennsylvania. O presidente George Washington convocou uma reunião de militares sob autoridade federal. Treze mil tropas dispersaram a turba e capturaram seus líderes. Essa Rebelião do Whisky foi o primeiro teste importante da autoridade federal do jovem governo.
Apesar da rebelião ter falhado, as destilarias clandestinas continuaram por todos os Estados Unidos, especialmente em Kentucky, Virginia, nas Carolinas do Norte e do Sul e outros Estados do Sul. Os impostos sobre o álcool não foram retirados e os fabricantes clandestinos tinham sempre um incentivo para evitar a lei. Tiroteios entre eles e os revenuers se tornam manchete de jornal.
Essas batalhas se tornaram mais intensas na década de 60, quando o governo tentou cobrar esse imposto para financiar a Guerra Civil. Os destiladores clandestinos e os homens da Ku Klux Klan se uniram e travaram batalhas intensas. As táticas dos fabricantes clandestinos foram se tornando mais atrevidas e brutais, intimidando os habitantes locais que tinham que abrir mão da locação das destilarias e atacando os oficiais do fisco e suas famílias. A opinião pública começou a virar contra os destiladores clandestinos. O movimento de temperança, que buscava banir o álcool, foi ganhando simpatia à medida que os Estados Unidos se encaminhavam para o século XX.
No início da década de 1900, os estados começaram a aprovar leis proibindo a venda e o consumo de álcool. Em 1920, a Lei Seca ou Proibição Nacional, passou a vigorar em toda a nação. Foi ótimo para os fabricantes de bebidas clandestinas.
Subitamente, não havia álcool legalizado disponível. A demanda por bebida ilegal disparou. Os fabricantes clandestinos não conseguiam suprir a demanda, o que levou à fabricação da bebida mais barata feita com açúcar, assim como à colocação de água na bebida. Os destiladores faziam qualquer coisa para aumentar o lucro. O crime organizado aumentou enquanto as speakeasies, pontos de venda das bebidas clandestinas, eram abertas em todas as cidades. Esses saloons secretos tinham portas escondidas, senhas e rotas de escape caso os "Feds" (agentes federais) aparecessem para fazer uma batida.
Quando a Lei Seca foi revogada, em 1933, o mercado de bebidas ilegais encolheu. Embora as bebidas clandestinas tenham continuado sendo um problema para as autoridades federais até as décadas de 60 e 70, atualmente são ouvidos pouquíssimos casos de álcool ilegal nos tribunais. As grandes destilarias comerciais podem comprar matéria-prima em grande escala, e mesmo com os impostos que precisavam pagar, seus produtos não ficaram muito mais caros do que os produtos clandestinos. Apesar de alguns lugares no sul e centro-oeste dos Estados Unidos terem continuado "secos" (livres de álcool) durante várias décadas depois do fim da Proibição Nacional, a maior parte desses pontos localizados de proibição do álcool acabou se enfraquecendo. Desse modo, os consumidores de álcool têm poucos motivos para buscar bebidas clandestinas, exceto a tentação de comprar e beber algo que seja "proibido" e de zombar das autoridades governamentais. O desejo de zombar das autoridades governamentais é uma das razões mais importantes para a existência das bebidas clandestinas.