Controvérsia: criacionismo disfarçado


"A criação de Adão" de
Michelangelo

O movimento do design inteligente causou grande agitação nos Estados Unidos. Os proponentes do DI alegam que sua teoria tem bases científicas sólidas, não se baseia em nenhum princípio religioso e deveria ser ensinada, junto com a evolução, em aulas de ciências nas escolas públicas. A comunidade científica diz que o design inteligente não é científico; que é, de fato, uma teoria metafísica que deve ser ensinada em cursos de filosofia, e não de ciências.

Pessoas que fazem objeção à inclusão do design inteligente nas aulas de ciências estão preocupadas não só com o que a comunidade científica considera ciência ruim, mas também com o que os líderes do movimento DI dizem aos seus seguidores. A carta de intenções do Centro do Instituto Discovery para Ciência e Cultura (depois Centro para a Renovação da Ciência e Cultura) afirma:

    o Centro do Instituto Discovery para Ciência e Cultura busca apenas derrubar o materialismo e suas heranças culturais. Ao reunir importantes estudiosos das ciências naturais, sociais e humanas, o Centro analisa como novos desenvolvimentos em biologia, física e ciência cognitiva levantam dúvidas graves sobre o materialismo científico e reabre o caso para uma compreensão amplamente teísta da natureza [ref (em inglês)].

Ao mesmo tempo, declarações de líderes do movimento DI ressaltam a religião. Phillip E. Johnson, do Instituto Discovery, ao falar sobre o objetivo do movimento DI, disse:

    o objetivo é convencer as pessoas de que o darwinismo é inerentemente ateísta, mudando assim o debate do criacionismo x evolução para o debate da existência ou não de Deus [ref (em inglês)].

Na edição de julho/agosto de 1999 da Touchstone Magazine, William Dembski disse: "... o design inteligente é apenas a teologia Logos do Evangelho de João reescrita no idioma da teoria da informação". E depois, em 2005, ele fez as seguintes observações:

    ... o design inteligente deve ser entendido como o indício que Deus colocou na natureza para mostrar que o mundo físico é o produto da inteligência, e não apenas o resultado de forças materiais irracionais. Esse indício está disponível para todos, exceto pela revelação especial de Deus na história da salvação como recontada nas Sagradas Escrituras.

    ... Certamente, os criacionistas que defendem o design inteligente acham que ele não vai muito longe para elucidar a compreensão cristã da criação. E eles estão certos!

    ... Mesmo assim, há uma vantagem imediata no design inteligente: ele destrói o legado ateísta da evolução darwiniana. O design inteligente torna impossível ser um ateísta intelectualmente satisfeito. Isso dá uma força incrível ao design inteligente como ferramenta para a apologética, abrindo a questão de Deus para indivíduos que acham que a ciência enterrou Deus.

Além disso, há alegações generalizadas de que a maioria do dinheiro do Instituto Discovery vem de indivíduos e organizações fundamentalistas cristãs, sobretudo os milhões de dólares doados pelo filantropo Howard Ahmanson, um cristão evangélico, e centenas de milhares de dólares doados pela Fundação Maclellan, que busca "servir organizações nacionais e internacionais dedicadas a ampliar o Reino de Cristo ... ao dar recursos financeiros e de liderança para que o Reino de Deus chegue a cada tribo, nação, povo e idioma". O Instituto Discovery responde dizendo que os caminhos de sua pesquisa são determinados pela diretoria, não pelos patrocinadores.

Tudo isso, além das questões referentes à validade científica dos argumentos do design inteligente, levou muitos a acreditarem que o movimento do design inteligente é uma abordagem calculada para divulgar uma perspectiva criacionista das origens da vida nos cursos de ciências em escolas públicas. Os proponentes do DI afirmam que não é assim - que o design inteligente é desvinculado do criacionismo e é baseado inteiramente em indícios científicos.