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Descartes e o cartesianismo
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Descartes e o cartesianismo
No começo de sua vida adulta, Descartes teve uma visão que lhe revelara uma imagem matemática do mundo. Segundo sua interpretação, isso significava que o funcionamento do universo poderia ser explicado mediante a aplicação de uma ciência matemática universal. Na noite em que teve essa visão lhe ocorreram também três sonhos, que influenciariam profundamente o filósofo. Para ele, aquilo era uma revelação de uma incumbência que recebera de Deus e a partir de então prometeu a si mesmo dedicar-se apenas a sua vida intelectual.
Ele desistiu de sua vida errante, vendeu todos os seus bens e tornou-se cada vez mais recluso. Para se afastar de qualquer interrupção em sua missão de pensar, isolou-se completamente na Holanda, que era o país mais tolerante da Europa naquela época. Ele queria desenvolver um método isento de todos os preconceitos e hipóteses e baseado unicamente na certeza. A razão estaria acima de tudo nesse sistema que englobaria e unificaria todo o conhecimento. Descartes entendeu que para isso era preciso que a nossa reflexão obedecesse a duas regras mentais: a intuição e a dedução. Ele escreveu isso em seu tratado “Regras para a Direção do Espírito”. Estava inventado o método cartesiano.
Sua reputação cresceu na Europa e ele passou a escrever sobre vários assuntos científicos, como geometria e astronomia. Enquanto desenvolvia seus estudos, Descartes estabeleceu um relacionamento com uma jovem chamada Hélène, com quem teve uma filha de nome Francine. O filósofo ficou encantado com a criança. Nessa época começou a escrever aquela que seria sua mais importante obra, o “Discurso do Método”. Com ela, o filósofo lança os fundamentos da geometria analítica moderna, das coordenadas cartesianas, propõe a Lei da Difração na ótica, mas principalmente apresenta as ideias essenciais do seu pensamento que revolucionariam a filosofia. Na introdução desse valioso texto, ele estabelece sua única certeza fundamental, a de que é o fato de estar pensando a única prova da existência do ser humano. Um das mais famosas frases da filosofia em todos os tempos: “Cogito, ergo sum” (Penso, logo existo).
Enquanto finalizava “Meditações”, uma tragédia abalou profundamente Descartes. Sua filha Francine adoeceu e morreu. Àquela altura ele era tão famoso que até a realeza reconhecia seu valor. Ironicamente, esse fato acabou sendo fatal para Descartes. A rainha Cristina da Suécia insistiu para que ele fosse residir em Estocolmo para ensinar-lhe filosofia. Após negativas iniciais, Descartes não teve mais como evitar e mudou-se para a capital sueca em 1649. Obrigado a despertar às quatro horas da manhã para as aulas com a rainha e enfrentando o rigorosos e prolongado inverno escandinavo, Descartes acabou morrendo de pneumonia em 11 de fevereiro de 1650. Um capricho da realeza européia levou à morte um dos mais importantes intelectuais da história.
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Para citar corretamente este artigo do HowStuffWorks por favor copie e cole o texto abaixo:
Editores do HowStuffWorks. "HowStuffWorks - Biografia de Descartes". Publicado em 31 de março de 2009 (atualizado em 01 de abril de 2009) http://pessoas.hsw.uol.com.br/descartes2.htm (27 de novembro de 2009)