Jacques Derrida e o desconstrucionismo

Associado à nova geração de intelectuais franceses, como Roland Barthes, Michel Foucault e Julia Kristeva, que colaboravam para a revista “Tel Quel”, Derrida começou a ensinar história da filosofia na Escola Normal Superior em 1965. Naquele momento o objetivo de Derrida era o de destruir toda a “escritura” pela demonstração de sua inevitável falsidade. Segundo o filósofo, a linguagem que o escritor utiliza, inevitavelmente, distorce o que ele pensa e escreve.

Derrida desenvolveu esse argumento em “A escritura e a diferença”, obra lançada em 1967, Nela ele ataca o racionalismo e o símbolo máximo da razão, René Descartes. Mas as ideias centrais de seu pensamento estariam na obra “Gramatologia”, também publicada em 1967. Lá ele argumenta que a filosofia havia se equivocado ao buscar a verdade essencial que estaria na “essência das coisas”. Para ele, ela deveria ter se concentrado na linguagem. Derrida afirma que tudo que encontramos na linguagem é um sistema de diferenças múltiplas e sutis de onde emergem os significados. Ao avançar nesse raciocínio, Derrida procurou invalidar todo o processo da lógica (só que ele fez isso usando argumentações lógicas!).

Expressamos nosso conhecimento na linguagem, só que toda palavra, toda expressão e o modo como as utilizamos nos textos geram ambiguidades. Tanto a linguagem falada como a escrita são recheadas de duplos sentidos e estão à mercê das interpretações dos interlocutores ou leitores. Assim, a utilidade da análise que Derrida propôs reside não naquilo que um texto significa e sim como ele adquire aquele significado ou outros.

Quando a rebelião estudantil de maio de 1968 eclodiu em Paris, Derrida teve um papel ativo nas manifestações. Suas palestras na Escola Normal Superior tornaram-se cada vez mais populares. Seu desconstrucionismo tinha virado moda na Europa e também nos Estados Unidos no final dos anos 60, apesar do menosprezo que muitos filósofos e cientistas importantes tinham por aquela abordagem filosófica.

Em 1972, quando assumiu o posto de professor na Johns Hopkins University nos Estados Unidos, ele lança três livros, entre eles “La dissemination”, onde novamente argumenta que nunca pode haver somente um significado fixo para qualquer texto. A força de diferentes significados causa uma disseminação de interpretações. Em 1974, ele publica uma de suas obras mais indecifráveis: “Glas”. Nela, duas colunas contínuas de impressão em 300 páginas trazem de um lado uma leitura original e citações da obra de Hegel. Do outro lado, um comentário sobre as obras do escritor francês Jean Genet. Talvez ele pretendesse aplicar a dialética de Hegel nessa leitura: de um lado a tese, do outro a antítese e na cabeça do leitor, se ele conseguir, a síntese.

Em 1981, como um nome já consagradíssimo da filosofia do século 20, Derrida foi a Praga, na ainda comunista Tchecoslováquia. Lá acabou preso quando a polícia “descobriu” maconha com ele. A França protestou energicamente e ele foi solto e recebido como herói em Paris. Derrida acreditava que sua filosofia da “desconstrução” podia ser uma ferramenta contra o autoritarismo e a injustiça e se engajou na luta contra o apartheid e pela libertação de Nelson Mandela nos anos 80 e contra o racismo na França. Jacques Derrida morreu em 8 de outubro de 2004.