A julgar por estes testes, parece que ao se fazer a distinção entre diversos argumentos, as pessoas zangadas ignoram informações que são irrelevantes para a qualidade do argumento como, por exemplo, a sua fonte. Entretanto, pessoas neutras apresentam uma preferência indevida por essas dicas. No seu relatório, o dr. Moons e a dra. Mackie escreveram que "pessoas zangadas geralmente eram sensíveis às variações na qualidade do argumento". Em outras palavras, eles prestam atenção à heurística ou às dicas que realmente importam - qualidade do argumento, fatos fornecidos, etc. Ao contrário da crença comum, a raiva agora pode ser encarada como um "motivador" do pensamento analítico, em vez de uma barreira.
O estudo da Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara, mostra que a raiva pode ajudar a impulsionar o pensamento analítico, já que pessoas zangadas ignoram, com mais freqüência, informações que são menos úteis. Mas por quê? Caso pense a respeito, há uma lógica subjacente. A raiva é uma emoção que demanda uma resposta. Às vezes, essa resposta pode ser nociva ou violenta. Mas, em outros casos, ela pode ser construtiva como, por exemplo, um desejo de encontrar uma solução ao se concentrar em pensar de forma analítica. E conforme vimos no terceiro teste, até mesmo as pessoas que não demonstravam uma tendência analítica viram um aumento na sua capacidade de raciocínio ao ficarem um pouco aborrecidas. O estudo também destaca que, em geral, as pessoas zangadas têm vontade de ver alguém ser punido, um sentimento que poderia motivá-las a classificar um argumento em detrimento de outro.

Outros estudos, alguns dos quais são citados no trabalho de Moons-Mackie, também encontraram benefícios positivos da raiva. A dra. Jennifer Lerner, da Carnegie-Mellon University, estudou bastante os efeitos da raiva. Ela descobriu que reagir a uma situação de estresse com uma quantidade razoável de raiva pode fazer com que as pessoas tenham uma maior sensação de controle e se sintam mais otimistas. Vale a pena mencionar que o dr. Moons e a dra. Mackie não atestaram esse nível elevado de certeza entre as pessoas no seu estudo. A dra. Carol Tavris, psicóloga e autora de um livro chamado "Anger: The Misunderstood Emotion", afirma que certamente a raiva tem um papel positivo a ser desempenhado na sociedade. Como exemplo, ela menciona o movimento de sufrágio para mulheres.
Na vida cotidiana, normalmente ouvimos as pessoas dizerem que é mais saudável expressar a frustração ou ter pequenos acessos de raiva, em vez de reprimir esses sentimentos a fim de soltá-los, agressivamente, em um momento ruim. Expressar a raiva pode gerar discussões saudáveis, momentos de discernimento e entendimento. Normalmente, também é uma resposta melhor do que uma das alternativas - medo.
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