A decifração dos códigos Enigma em Bletchley Park foi crucial para o sucesso aliado em dois grandes teatros da guerra - o Mediterrâneo e o Atlântico Norte. Os alvos eram os navios de suprimento. No Atlântico Norte, os comboios de suprimento da Inglaterra é que eram a presa, e os temidos Unterseebooten, os submarinos alemães, eram os predadores. Tendo sofrido perdas colossais em sua frota mercante, os ingleses tinha de virar a mesa da guerra submarina, mas sem deixar que os alemães se dessem conta de que o código Enigma de sua marinha (denominado “Ultra”) tinha sido quebrado.
| Mais de mil navios de suprimento aliados foram afundados antes que a ameaça submarina fosse erradicada em 1943. |
A estratégia era não destruir os submarinos - seria óbvio demais, mas afugentá-los e afundar seus navios de apoio. Assim, os submarinos interceptaram cada vez menos comboios. Em maio de 1943, os ingleses passaram à ofensiva, destruindo um terço da frota de submarinos inimigos. A decodificação foi encoberta por um boato plantado de que os Aliados teriam um radar subaquático. No verão, os alemães se renderam, tendo afundado apenas um punhado de navios.
Mantendo o sigilo
| Os submarinos alemães somavam 200 unidades e operavam em grupos - as “matilhas”. |
No Mediterrâneo, os navios eram alemães. Eles obtinham combustível e equipamentos na Itália (então uma potência do Eixo) para suas tropas em combate no norte da África. Três aviões baseados em Malta obtinham as coordenadas de seus alvos dos criptoanalistas de Bletchley. Para preservar o segredo de Bletchley e para encorajar a conclusão equivocada de que as vitórias britânicas se deviam a um grande número de aviões de reconhecimento, nenhuma embarcação alemã podia ser afundada até que fosse observada por uma aeronave. Uma mensagem de fácil interceptação era então enviada pelo avião, confirmando o avistamento antes que o ataque fosse desfechado.
| 1941- 42: Os aliados precisavam interromper a linha naval que abastecia Rommel para deter sua campanha no Saara Ocidental. |
Após as decifrações de Bletchley Park, os centros de comando obtinham as posições dos submarinos e navios inimigos, que repassavam aos comboios e aviões de reconhecimento.
A base aérea de Malta planejava suas patrulhas marítimas com os dados de Bletchley acerca do posicionamento dos comboios alemães.
Formado em Cambridge, Alan Turing, o astro matemático recrutado por Bletchley Park, era referido como “professor” por seus assistentes. Seu papel crucial na decifração do código Enigma foi reconhecido após a guerra, quando ele foi condecorado.
Considerado o primeiro computador do mundo, o Colossus foi feito em 1943 em Bletchley Park por engenheiros postais ingleses. Testava soluções para os padrões Enigma na razão de 5.000 letras por segundo. Ele permitiu que as senhas Enigma de quatro rotores fossem quebradas.
Como funcionava
Os livros de código
Os livros de código alemães forneciam seqüências de ajustagem que eram datilografadas no início do dia - a Enigma codificava de maneira diferente a cada dia. Sem os livros de código capturados, não teria sido possível decifrar as mensagens.
O painel luminoso
Ao pressionar-se uma tecla, uma letra se acendia no segundo painel sobre as teclas da máquina de escrever. Essa letra era anotada até que toda a mensagem estivesse codificada e pronta para ser transmitida.
Os botões
As máquinas Enigma funcionavam de dois modos: o operador que recebia a transmissão digitava a mensagem codificada e, letra a letra, o painel de luzes exibia o texto original.
Os rotores e o painel de plugues
Cada rotor girava independentemente sempre que um botão era pressionado, recodificando cada letra de forma diferente. A fiação do painel de plugues fornecia um nível extra de cifragem, reinicializado de modo distinto a cada dia, de acordo com os livros de código.
| Rotores: giravam para cifrar as mensagens Teclado: as mensagens eram cifradas, letra a letra Painel luminoso: exibia mensagens cifradas Painel de plugues: criava uma camada extra de codificação |
Senhas quebradas
| Número de série, data e hora da interceptação. As três letras iniciais não estavam em código, mas se referiam ao setup dos rotores para aquela mensagem específica. Cada uma era codificada distintamente. A seguir vinham numerais que davam a hora e a data da mensagem, antes da mensagem propriamente dita. As palavras de abertura forneciam pistas, pois podiam ser informes de tempo ou saudações. Ao longo da mensagem havia coordenadas na forma de números e relatórios de situação. |
Havia diferentes códigos em uso pela marinha, exército e submarinos alemães; cada qual com seus próprios livros de código. Os postos de escuta ingleses interceptavam os sinais, datando-os e classificando-os. A equipe de Bletchley Park levava inicialmente semanas para decifrá-los, mas, depois, de posse dos livros de código, passou a resolver a tarefa em horas.
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