David Hume: o empirismo ateu

Autor: 
Editores do HowStuffWorks

Quando não conseguiu o emprego na universidade onde estudara, David Hume deixou Edimburgo. Ele passou a trabalhar como tutor do lunático Marquês de Anandale. Nessa função achou tempo para começar a escrever uma “História da Inglaterra”. Após, ele foi ser secretário do general James St. Clair, cuja missão era atacar os franceses. Numa aventura marcada pelas trapalhadas de ambos os lados, o que incluiu uma desastrada retirada dos ingleses após desembarcarem num pantanoso litoral da Bretanha e a tentativa de rendição dos franceses cujas tropas eram sete vezes mais numerosas que as inglesas, St. Clair e Hume voltaram para casa para receberem suas medalhas pela “gloriosa” campanha.

St. Clair ganhou como prêmio a chefia da importante missão diplomática britânica a Viena e Turim. Hume o acompanhou e teve a oportunidade de fazer diagnósticos sobre diferentes culturas européias. Nos seus trabalhos ao lado do general, Hume pôde presenciar e entender o que era a história. Por conta disso, retomou e finalizou o projeto de escrever a “História da Inglaterra”, que contou da invasão comandada por Júlio César, em 55 a.C., até a Revolução Gloriosa, de 1688.

Após o final da missão, Hume decidiu retornar para suas atividades puramente filosóficas. De volta a Edimburgo, começou a escrever o que ele achava que seria sua grande obra filosófica. À primeira parte, ele deu o título de “Investigação acerca do Entendimento Humano”, e à segunda, ele chamou “Investigação sobre os Princípios da Moral”. Esse projeto, no entanto, revelou-se um grande fiasco filosófico.

Mas, em 1763, um ano após a publicação de seu “História da Inglaterra”, Hume foi nomeado secretário do embaixador inglês na França. Considerado o Voltaire britânico, o filósofo teve uma passagem bem-sucedida por Paris, frequentando festas e circulando pela Corte. Lá conheceu e teve encontros com Jean-Jacques Rousseau. Em 1769, voltou a Edimburgo e continuou a escrever, enquanto realizava longos jantares com amigos, entre eles, Adam Smith, o teórico pioneiro da economia.

Desde que lançou “História da Inglaterra”, todos os livros de Hume foram incluídos no Index de obras proibidas pela Igreja católica. No final de sua vida, quando estava muito doente, provavelmente em função de um tumor no fígado, o primeiro filósofo a assumir que era ateu continuou assim e não se reconciliou com Deus nem no leito de sua morte. David Hume morreu em 25 de agosto de 1776 e uma multidão se reuniu para presenciar o funeral do “ateu”.