David Hume e o tratado sobre a natureza humana

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David Hume nasceu em Edimburgo (Escócia) em 24 de abril de 1711. Seu pai morreu quando o futuro filósofo tinha apenas três anos de idade. Ele acabou sendo criado pela mãe e por seu tio, pastor local que herdou a pequena propriedade rural do pai de Hume, localizada numa região gelada na fronteira escocesa. Sua educação na infância aconteceu no chalé do professor da escola, junto com outras crianças dentro da igualitária tradição educacional da Escócia.

Quando tinha doze anos foi para a Universidade de Edimburgo, uma admissão precoce aos ensinos universitários muito comum naquela época. Lá a expectativa era que Hume cursasse Direito, mas pouco a pouco ele concentrou seus interesses em filosofia. Após uma angustiante indefinição decidiu definitivamente abrir mão de ter uma vida profissional de advogado. A decisão de Hume custou-lhe uma estafa e ciclos de depressão que enfrentou ao retornar para o lar. Nesse período de recuperação intermitente, ele começou a ganhar peso, e o que até então era um sujeito alto e magro tornou-se corpulento, o que pode indicar que ele tenha tido problemas glandulares.

Quando tinha 24 anos, após passar um breve período em Bristol trabalhando como escriturário, ele herdou uma renda anual de 40 libras o que lhe permitiu viver sem precisar trabalhar. Foi quando ele começou a registrar suas observações filosóficas. Hume decidiu então partir para a França. Nos seus três primeiros anos morando em território francês, ele escreveu sua primeira e principal obra filosófica: “Tratado sobre a Natureza Humana”. Ironicamente, ele rejeitaria mais tarde esse livro por considerá-lo uma extravagância da juventude. Na obra, Hume expõe que a experiência humana, que seria a base de todo nosso conhecimento, consiste de percepções. E para ele há dois tipos de percepções: impressões e ideias.

A partir dessa visão da base do nosso conhecimento, Hume concluiu que nós nunca experimentamos de fato um objeto, nós apenas temos impressões dele: sua cor, forma, consistência, gosto etc. Para ele, também não temos impressão real que corresponda à continuidade, isto é, as coisas simplesmente acontecem umas após as outras, sem podermos dizer que uma coisa determina que outra aconteça. Hume afirmou que não temos outra noção de causa e efeito a não ser a de certos objetos que estiveram sempre associados (como, por exemplo, chama, pólvora e explosão). Segundo ele, o ser humano pensa que sabe muito, mas, na verdade, grande parte do que pensa saber é mera suposição. Com isso, Hume praticamente destruiu a base de toda a ciência.

O “Tratado sobre a Natureza Humana” foi publicado na Grã-Bretanha em 1739. Hume tinha a expectativa que a obra se tornaria polêmica e ele uma figura notória. Mas, o principal trabalho filosófico de Hume foi praticamente ignorado. A não ser por alguém que participou do processo de admissão de Hume na Universidade de Edimburgo, que havia se candidatado a professor na cadeira de filosofia moral. Ele não conseguiu ser admitido porque o “Tratado sobre a Natureza Humana” foi considerado uma obra de heresia e ateísmo.