Introdução sobre o choque de civilizações

A religião tem um papel preponderante nos principais conflitos do mundo contemporâneo, mais importante do que as disputas entre os grandes sistemas político-ideológicos. Em vez do embate entre democracia liberal e comunismo, que marcou boa parte do século 20 durante a Guerra Fria, emerge um confronto entre os sistemas sociais e culturais baseados no Islamismo e os fundamentados nas religiões judaico-cristãs. Essa ideia faz parte de uma polêmica tese que ganhou força no começo do novo milênio em função dos ataques terroristas do 11 de setembro de 2001.

choque de civilizações
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Chamada de "choque de civilizações", essa tese foi levantada e defendida pelo cientista político norte-americano Samuel Phillips Huntington em 1993, num artigo publicado na conceituada revista "Foreign Affairs". Num momento de otimismo do liberalismo, com o fim da União Soviética e o desmantelamento dos principais regimes socialistas e de consolidação da absoluta superioridade militar e econômica dos Estados Unidos, Huntington enxergou um horizonte pessimista, no qual haveria um declínio da hegemonia ocidental e a religião assumiria um papel até então reservado às grandes ideologias.

Para os defensores da ideia do confronto entre civilizações, o terrorismo internacional associado ao Islamismo que surgiu no início do século 21 serviu para confirmar a análise de Huntington, que foi considerada premonitória por ter sido escrita quase que uma década antes. Mas muitos estudiosos discordam dessa ideia. Os críticos da tese do "choque de civilizações" argumentam que há muitas imprecisões e contradições nas ideias de Huntington, a começar que não é tão simples assim definir o que são civilizações. Nas próximas páginas, descubra o que dizem os defensores e os críticos da polêmica tese do "choque de civilizações".

Quem foi Samuel Huntington

Nascido em Nova York, em 1927, Samuel Philips Huntington graduou-se pela Universidade de Yale, fez mestrado na Universidade de Chicago e obteve seu doutorado pela Universidade de Harvard. Especialista em política americana e internacional, relações internacionais e nas transformações modernizadoras da sociedade, Huntington trabalhou como consultor de várias agências governamentais norte-americanas, foi diretor do Instituto para Estudos de Guerra e Paz da Universidade de Columbia e diretor de vários centros de estudos da Universidade de Harvard. Suas pesquisas resultaram em vários livros sobre estratégias de segurança nacional, organizações transnacionais, governabilidade nas democracias, processos de democratização e comparações entre os governos dos Estados Unidos e da União Soviética, entre outros assuntos. Huntington morreu em 2008.