Desde seu lançamento, em 2003, a teoria 1421 de Gavin Menzies tem sofrido diversos ataques. O texto que procura invalidar a teoria de Menzies é, pelo menos, tão abrangente quanto seu livro. Uma pergunta, talvez, permanece quando nos aproximamos da teoria 1421: se os chineses estiveram nas Américas antes de Colombo, por que sua marca não permaneceu indelével na superfície da civilização americana?
Os noruegueses, que navegaram para tão longe, chegando à parte ocidental de Terra Nova em suas viagens pelo Atlântico, deixaram vestígios de sua passagem pela América do Norte. Seu folclore inclui relatos dos encontros dos vikings com os nativos americanos. Os fragmentos da pedra do posto avançado que eles construíram durante sua passagem ainda podem ser vistos. Isso foi há mil anos, 500 anos antes da viagem de Colombo. Mesmo a breve permanência dos vikings na América do Norte ainda é evidente. Se os chineses tiveram tal impacto nas sociedades das Américas somente 70 anos antes da chegada de Colombo, por que não há evidências de sua presença em lugar nenhum?
David McLain/Aurora/Getty Images Em L'Anse aux Meadows, na Terra Nova, Canadá, em 1961, foi encontrado um povoado viking que foi totalmente reconstruído em seu estado original |
Além disso, há uma falha na polinização cultural entre o Novo Mundo e a China. Quando os europeus chegaram às Américas, eles trouxeram itens que jamais haviam sido vistos no continente, como o aço e cavalos. Mais importante que isso, contudo, levaram consigo tesouros exóticos do novo mundo. Milho e tomates, juntamente com enormes quantidades de ouro saqueado, seguiram caminho para a Europa em embarcações de exploradores. Onde estão o ouro inca ou o trigo dos astecas na China?
Talvez a evidência mais criticada seja o próprio mapa de 1408. O dr. Geoff Wade, historiador da Universidade Nacional de Cingapura (em inglês), vem incansavelmente escrevendo artigos em um esforço para desmascarar Gavin Menzies e a teoria 1421, chegando ao ponto de fazer uma queixa no Reino Unido (em inglês) contra os editores que fizeram, com o marketing, que o livro parecesse história.
Wade aponta diversas falhas no mapa de 1408 que sugerem uma falsificação e a maior delas é a de que o mapa representa o mundo, baseado na idéia de que ele é uma esfera. Essa idéia era desconhecida na Dinastia Ming. Ele também aponta que a China é mal representada no mapa e questiona o motivo de ter sido desenhada tão toscamente, já que os chineses criaram o mapa.
Wade acredita que o mapa foi desenhado no século 21, possivelmente para sustentar a teoria 1421 de Menzies. Ele também crê que tal mapa foi baseado nos antigos mapas criados pelos missionários jesuítas no século 17. E ainda aponta que a Califórnia é representada como uma ilha e que a China está localizada no centro do mapa, ambos exemplos da cartografia jesuíta. Também afirma que alguns dos textos foram claramente traduzidos para o chinês de tais mapas jesuítas antigos.
Se o mapa é falso, então toda a teoria 1421 cai por terra. Não existe, porém, nenhuma outra maneira de determinar se os chineses realmente viajaram para as Américas? Por que não perguntar? Esse é o ponto em que a história dá uma reviravolta e mantém o status de discussão no futuro da teoria 1421. Após a invasão, comandantes manchu assumiram o governo da China, em seguida à Dinastia Ming (estabelecendo a Dinastia Qing). Os forasteiros tiveram bastante trabalho para varrer os vestígios do antigo governo. Isso inclui todos os relatos das grandes viagens das frotas. Com esses documentos queimados, qualquer evidência, contraditória ou não, da presença chinesa nas Américas foi perdida para sempre.
Para mais informações sobre os mapas, assim como links para os discursos de Menzies e Wades, visite a próxima seção.