Evidências físicas da Teoria 1421

Durante a Dinastia Ming, um grande capitão chamado Zhang He (assim como outros grandes capitães) saiu da China para velejar, explorando o mundo. Sob o comando do Imperador Zhu Di, He e a frota chinesa (composta de 28 mil homens) seguiram caminho da Ásia para o Oriente Médio e África, conseqüentemente chegando à Indonésia. Será, então, que a frota continuou seguindo para o Ocidente até chegar às Américas?

Um turista visita uma réplica de um barco de junco da China Medieval durante a comemoração do 600º aniversário das famosas viagens de Zhang He.
Peter Parks/AFP/Getty Images
Um turista visita uma réplica de um barco de junco da China medieval durante a comemoração do 600º aniversário das famosas viagens de Zhang He

Talvez a possibilidade mais lógica seja a de que a frota voltou à China e, então, saiu novamente, dessa vez navegando para o leste e cruzando o Pacífico, até chegar à costa oeste da América do Norte. De qualquer modo, Menzies afirma que a evidência da chegada dos chineses está espalhada através da tradição, dos costumes e da arte das tribos nativo-americanas. E ele não está sozinho. "1421" criou um movimento entre seus leitores, gerando uma corrida de indicações adicionais de evidências da presença dos chineses nas Américas antes que os europeus tivessem ao menos pisado nesses continentes. Para Menzies e os leitores que o apóiam, basta simplesmente observar a rica cultura de tapeçaria dos povos das Américas para encontrar ali uma evidência da influência chinesa.

Antes da chegada dos europeus, não havia um único cavalo perambulando sobre as terras da América do Norte ou do Sul. Essa é a idéia que os historiadores sustentam - o cavalo não é nativo das Américas e não existia até que os europeus o trouxessem. Assim, a espécie conquistou seu espaço no novo mundo. Peças de arte pré-colombianas, porém, representando cavalos, encontradas na Cofins Cave, no Brasil, e em Trujillo, no Peru, contradizem isso. Em uma dessas peças, supostamente havia cavaleiros chineses no lombo de cavalos. Os chineses foram cavaleiros experientes durante séculos, se não por milênios, antes da era de exploração européia, e seria natural que, no caso de uma expedição nas Américas, trouxessem consigo seus preciosos cavalos.

As lendas e o folclore indígenas também são repletos daquilo que Menzies acredita serem histórias sobre encontros entre tribos nativas e exploradores chineses. Os líderes da tribo inca - uma enorme e poderosa tribo das montanhas, localizada na Cordilheira dos Andes, na América do Sul - foram governados por comandantes chineses, de acordo com Menzies. O líder Montezuma, rei soberano do império asteca no México, confundiu o conquistador Cortés com seu avô, que retornava de seu lar no Oriente, acredita Menzies. Os índios cherokees, do sudeste dos Estados Unidos, possuem uma doutrina que fala sobre sua aceitação e combate com viajantes chineses vindos do mar.

O que é, porém, evidência física? Caso os chineses tivessem chegado às Américas - e não tivessem comercializado nem tivessem sido governados pelo povo que encontraram lá - as evidências diretas de sua presença não teriam permanecido? Menzies e os seguidores da teoria 1421 dizem que sim. No noroeste do Pacífico, nos Estados Unidos de hoje, investigações em oito sítios diferentes encontraram moedas chinesas. Uma peça de vestuário da tribo Nez Perce, do atual Idaho, datada de mais de 300 anos, possui ornamentos tecidos que se acredita que sejam contas chinesas. E nas Chaves da Flórida, afastado da costa do Big Sur, Califórnia, artefatos de jade chineses pré-colombianos foram desenterrados do leito de um rio e do fundo do mar.

Apesar dessa evidência, porém, historiadores não têm pressa em reescrever os livros de história. Descubra por que alguns consideram questionável a teoria 1421 de Menzies.