Em seu livro, "1421: O ano em que a China descobriu o mundo", o historiador amador britânico Gavin Menzies chama a atenção para a história da descoberta da América pelos europeus com uma idéia surpreendente: navegadores chineses teriam descoberto a América 70 anos antes de Cristóvão Colombo. O livro gerou controvérsias entre os acadêmicos. Do mesmo modo, antropólogos, arqueólogos, historiadores e lingüistas desmascararam muitas das evidências que Menzies utilizou para embasar sua idéia, que passou a ser chamada de teoria 1421.
![]() Cortesia Amazon.com O livro de Gavin Menzies, "1421," levanta uma hipótese intrigante sobre quem chegou primeiro à América - e virou motivo de escárnio dos acadêmicos |
De onde, porém, Menzies tirou a idéia de que os asiáticos, e não os europeus, chegaram primeiro à América? Há tempos os acadêmicos afirmam que os asiáticos foram os primeiros a pisar na América do Norte, mas não do modo como Menzies descreve. Há cerca de 10 mil anos, acreditava-se que o povo originário da Ásia tinha cruzado o Estreito de Bering sobre uma ponte, partindo da Sibéria para o atual Alasca. Desde então, crê-se que se espalharam ao longo dos milênios, diferenciando-se geneticamente e povoando as Américas do Norte e do Sul.
A teoria de Menzies, no entanto, credita muito mais influências diretas à China. Em vez da civilização se desenvolver separadamente nas Américas e na Ásia, de acordo com a teoria 1421, a China estava diretamente envolvida no governo e no comércio com o povo nas Américas, com o qual compartilhava sua ancestralidade.
Que evidências sustentam a teoria de Menzies? Menzies está convencido de que basta dar uma olhada em alguns mapas para perceber.
Trinta anos antes de Gavin Menzies publicar seu livro, o missionário batista dr. Hendon M. Harris examinou raridades em uma loja em Taiwan. Foi lá que ele fez uma descoberta surpreendente: um mapa, aparentemente antigo, escrito em chinês clássico e que representava o que, para Harris, era claramente a América do Norte. Era um mapa de Fu-Sang, a lendária terra das fábulas chinesas.
Fu-Sang é, para os chineses, o que Atlântida é para o Ocidente - uma terra mítica que muitos acreditam não ter existido, mas com evidências bastante perturbadoras (e obscuras) para manter a popularidade de tal hipótese. O mapa descoberto pelo missionário - que ficou conhecido como o mapa de Harris - mostrava que Fu-Sang se localizava exatamente onde é a América do Norte. Ainda mais surpreendentes são as características apresentadas no mapa de Fu-Sang, bastante semelhantes às anomalias geográficas exclusivas da América do Norte, como o Grand Canyon.
Como se o mapa de Harris não fosse sugestivo o suficiente, outros mapas surgiram. É um mapa específico que Menzies aponta como prova definitiva de que os chineses já haviam explorado o mundo muito antes de os europeus pensarem em velejar na era das expedições. Esse mapa, conhecido como mapa de 1418 - também lembrado por causa da data em que foi supostamente publicado - claramente mostra todos os oceanos, assim como os sete continentes, em tamanhos e localizações corretas. Ainda mais impressionante é a exata representação, no mapa, de características da América do Norte, incluindo o rio Potomac, localizado no nordeste dos Estados Unidos de hoje.
Menzies não só acredita que os chineses já haviam explorado o mundo antes de Colombo e outros exploradores europeus mas também que era com os mapas chineses que os europeus conseguiam navegar ao redor do mundo. Munido com o mapa e sua evidência náutica, Menzies salienta muitos outros artefatos que indicam que os chineses ocuparam as Américas antes de Colombo. Leia a seção seguinte para descobrir o que sustenta a teoria de Menzies.