O que é o censo e há quanto tempo ele existe

O conceito de um censo, ou contagem de moradores, é antigo, datando dos tempos bíblicos. O primeiro censo realizado na América do Norte, dizem os historiadores, ocorreu em 1.576, duzentos anos antes de a América tornar-se independente dos britânicos. O rei espanhol Felipe II, que na época comandava a grande região, enviou índios americanos ao que hoje em dia é conhecido como México, com uma lista de 100 perguntas. Os índios não falavam espanhol, por isso, eles gravavam as respostas em hieroglifos (figuras) e faziam mapas da mesma forma (também representavam ruas de mão única com pegadas).

Desde 1790, o censo federal tem sido realizado a cada 10 anos (em anos terminados em zero), pois assim é exigido pela Constituição Americana. Ele também é necessário para determinar a representação de cada área na Câmara dos Deputados. Embora a Constituição descreva o censo simplesmente como uma "contagem de habitantes," ele se transformou, com o passar do tempo, em um processo mais abrangente e útil. Agora, podemos saber muito mais a respeito da população do que apenas o número de pessoas que vivem nos Estados Unidos.

De acordo com o livro de Judy Hanna Green Finding Treasures in the U.S. Federal Census, em 1790 a população dos Estados Unidos era de apenas 4 milhões, sem contar os escravos ou os índios, que não pagavam impostos. O principal objetivo do primeiro censo foi fornecer informações a respeito de homens qualificados para o exército. Às vésperas da Guerra da Independência dos Estados Unidos da América, os novos cidadãos americanos estavam bem conscientes da importância de um exército forte. Mais tarde, durante a Guerra de 1812, boa parte do censo de 1790 foi destruída pelo fogo.

No primeiro censo nacional, 17 marechais americanos nomearam 200 assistentes. Eles viajaram por todo o país a cavalo para contar pessoas, escrevendo com canetas de pena (leia mais sobre história das canetas no Como funcionam as canetas esferográficas) em qualquer pedaço de papel que encontrassem. O custo do projeto foi de US$ 45 mil!

O primeiro censo nos EUA

Os Estados incluídos no censo foram Connecticut, Delaware, Geórgia, Kentucky, Maine, Maryland, Massachusetts, Nova Hampshire, Nova Jersey, Nova York, Carolina do Norte, Pensilvânia, Rhode Island, Carolina do Sul, Tennessee, Vermont e Virgínia.

Perguntas mais freqüentes:

  • nome do chefe da família
  • endereço
  • homens brancos livres, com 16 anos de idade ou acima, incluindo o chefe da família
  • homens brancos livres, menores de 16 anos de idade
  • mulheres brancas livres, incluindo a chefe da família
  • todas as outras pessoas livres
  • escravos
Fonte: Finding Treasures in the U.S. Federal Census, de Judy Hanna Green

A tecnologia começou a fazer parte do censo em 1890. O Census Bureau desenvolveu uma máquina elétrica que podia somar as respostas depois que os funcionários fizessem furos nos locais definidos para cada uma. Os cartões eram colocados na máquina, que, por sua vez, somava os resultados. A máquina era bem grande, mas já era um avanço para a época. Qualquer coisa que acelerasse o processo já ajudava, uma vez que os resultados tinham que estar prontos nove meses depois.

O primeiro computador moderno, denominado ENIAC, foi inventado em 1946 na Universidade da Pensilvânia. Esse computador que era, na verdade, muitas máquinas trabalhando juntas, ocupava uma sala inteira. O sistema estava pronto para ser usado em algumas etapas do censo de 1950 e o Census Bureau encomendou seu próprio computador, o UNIVAC. A tecnologia tem sido aperfeiçoada nos últimos anos e agora super computadores, de alta velocidade, estão disponíveis para auxiliar o censo.

Hoje em dia, essa tecnologia desempenha um papel importante no processamento de dados do censo. Os principais traços de automação no Censo 2000 incluem um sistema de captura de dados, criado para lidar com questionários amigáveis. O Census Bureau usa o National Processing Center (Centro Nacional de Processamento) e contrata empresas para operar três centros de processamento, que por sua vez são responsáveis por várias funções de captura de dados:

  • um sistema eletrônico completo de processamento e captura de dados registra uma imagem de cada questionário;
  • questionários devolvidos por correio são separados automaticamente para assegurar o registro, em tempo, das informações críticas necessárias, antes da verificação de quem não respondeu;
  • usa-se reconhecimento de marca ótica em todos os itens selecionados;
  • usa-se reconhecimento inteligente de caracteres para ler informações escritas;
  • operações pelo teclado capturam e resolvem casos complicados relacionados ao reconhecimento inteligente de caracteres;
  • ocorre uma revisão nas atividades de digitação de dados e escaneamento, com o objetivo de garantir a qualidade do trabalho.

Autoridades do Census Bureau dizem que o uso de imagens eletrônicas e captura de dados em 2000 reduziu as demandas de logística e de funcionários, como normalmente ocorre ao lidar com grandes volumes de questionários em papel.

Até 1960, a maior parte dos censos americanos foi realizada de porta em porta. Foi aí que os funcionários constataram a ineficiência desse método de lidar com uma população tão móvel, diversa e de crescimento tão rápido. Foi quando decidiram distribuir os formulários pelo correio. No censo de 1970, aproximadamente 60% foi enviado por correio e em 1980, aproximadamente 90%. No entanto, em 1990, quando o Census Bureau tentou enviar aproximadamente 94% por correio, uma em cada três famílias não devolveu os formulários. Por esse motivo, o mais recente censo, referente a um período de dez anos, foi o foco de atenção de uma campanha de conscientização nacional.

Mas nem a tecnologia nem o correio substituíram todos os membros importantes da equipe do censo. Entre as pessoas que trabalham no censo estão:

  • administradores, que definem como cada divisão do Census Bureau terá sua participação;
  • contadores, que vão de porta em porta coletar informações de moradores que não devolveram seus formulários;
  • estatísticos, que se certificam de que a matemática do Census Bureau está correta;
  • demógrafos, que entendem de estatística e estudam o que elas apresentam sobre a vida dos americanos. Analisam os números divulgados pelo censo, comparando-os com números de censos anteriores e nos relatam fatos importantes a respeito do futuro.