Introdução sobre o catastrofismo
Os maias acreditavam que o mundo pode acabar em 2012. O livro do Gênesis, na Bíblia, relata que Noé foi incumbido por Deus de salvar os seres vivos do Dilúvio que dizimaria a Criação. A cada 76 anos, a aproximação do
cometa Halley reanima algum prenúncio de fim dos tempos. Na época da
Guerra Fria (1951-1991), a humanidade era assombrada pela ameaça de um iminente holocausto nuclear, enquanto nas últimas décadas ambientalistas mais radicais discursam sobre como caminhamos para um cenário cataclísmico.
 Reprodução Cena de "O Dia Depois de Amanhã", um dos maiores sucessos entre os filmes que têm como tema gigantescas catástrofes naturais
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Seja na ficção, na religião, na ciência ou no discurso político, o ser humano tem uma queda por teorias catastrofistas que quase sempre preveem o fim do mundo como o conhecemos. Algumas dessas previsões têm uma base evidente na realidade, como no caso das consequências de uma guerra nuclear ou das ameaças ao meio ambiente. Outras não passam de lendas e mitos construídos por diferentes culturas ao longo dos milênios. Mas pode ser que nem sempre seja algum deus enfurecido que esteja por trás dessas narrativas míticas. Muitas delas podem ter se inspirado em fatos reais, em catástrofes geológicas ocorridas há milhares ou milhões de anos e que deixaram um rastro de destruição e medo.
 © istockphoto.com / Grafissimo O catastrofismo faz parte de várias culturas há milênios, com suas expressões nas religiões, em lendas e nas mitologias
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Se para a religião essas narrativas são provas de uma intervenção divina para nos punir e para corrigir os rumos da humanidade, para a ciência essa é uma questão ainda em aberto. Durante muito tempo prevaleceu a visão de que a Terra teria sido formada e a vida evoluído sob ela de forma lenta e a partir de forças estáveis. Situações como o Dilúvio, uma grande inundação devastadora para a vida, não passariam de lendas. No entanto, no decorrer do século 20 surgiram evidências de que a Terra pode realmente ter sido atingida por devastadoras catástrofes, provavelmente provocadas pelo choque de asteróides e cometas. Uma delas há 65 milhões de anos teria provocado a extinção dos dinossauros, uma espécie que durante cem milhões de anos reinou sobre o planeta.
O catastrofismo faz parte da experiência humana há milênios. Mais do que uma paranoia motivada pelo nosso atávico medo das forças naturais, ele pode ser o resultado de cataclismos que varreram de fato várias espécies da superfície do planeta e provocaram repentinas alterações geológicas com impactos devastadores sobre a vida. Na próxima página, conheça como a ciência e os mitos explicam o nosso catastrofismo.
Uniformitarismo x catastrofismo No início do século 19, dois dos mais renomados geólogos da época, os britânicos James Hutton e Charles Lyell, desenvolveram a tese de que a Terra teria sido formada por forças estáveis e lentas, como a erosão, e rejeitaram a hipótese de que a história do planeta era marcada por gigantescas catástrofes. A visão desenvolvida por eles e que perdurou por mais de um século nos estudos geológicos foi chamada de “uniformitarismo”. No século 20, no entanto, surgiram indícios de que a Terra durante seus aproximados 4,5 bilhões de anos de existência tenha sido atingida algumas vezes por asteróides e cometas com consequências devastadoras. Desde então, os estudos científicos baseiam-se numa combinação de uniformitarismo e catastrofismo para explicar a história do planeta e da vida sobre ele.
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