História e filosofia do tarô

O Sol
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Como cartas pegas aleatoriamente podem ter alguma importância na vida de alguém? O que acontece ali? A maioria dos tarólogos diz que o tarô pode iluminar as escolhas que você faz. As cartas não dizem o que você deve fazer nem exatamente o que vai acontecer no futuro, mas mostram as possibilidades de acordo com o caminho tomado. Vejamos algumas teorias sobre como as cartas de tarô podem funcionar.

Sincronicidade
Carl Jung (em inglês) acreditava que além das freqüentes relações de causa e efeito, nas quais o mundo científico se baseia, há também um outro princípio de ligação que não compartilha essa relação. Ele chamou esse princípio de sincronicidade. De acordo com Jung, a sincronicidade explica as forças que guiam o universo. Fatos que poderíamos ver como coincidência são, na verdade, sinais que podem nos ajudar a tomar decisões e a orientar nossa vida (se os reconhecermos).

Jung acreditava que a mecânica quântica (em inglês) poderia ser uma possível explicação para o fenômeno da sincronicidade. A mecânica quântica explica as relações das partículas e sua interconectividade aleatória com as ações, como probabilidades em vez de certezas. Há aqueles que acreditam que, como as forças da mecânica quântica afetam a realidade dos objetos físicos, as cartas de tarô podem ter função de nos mostrar os caminhos e os padrões e de nos ajudar a entender o significado dessas energias-guia. De acordo com os princípios da mecânica quântica, apesar de ter visto os possíveis resultados na leitura do tarô, você mudou as probabilidades. Jung não estudou tarô, estava interessado no I Ching (em inglês) - outra ferramenta de adivinhação. Ele propôs que a sincronicidade poderia ser uma explicação para o funcionamento do I Ching.

Projeção
Alguns dizem que tudo isso remonta ao subconsciente. Contraditoriamente, o modo como percebemos as coisas depende muito do nosso subconsciente. Há os que acreditam que, com o tarô, o subconsciente projeta suas próprias interpretações sobre as cartas. Como pessoa que consulta o tarô, sua interpretação é um resultado de fatores da sua vida que o moldaram como você é e o que você é capaz de fazer. As perguntas que tem sobre sua vida (normalmente o motivo de consultar o tarô) são projetadas nas figuras, desse modo você supõe as respostas a partir do que vê. Assim, o tarô é útil para nos ajudar a recorrer a nosso subconsciente para encontrar respostas que podem nunca ser pensadas conscientemente. O teste do borrão de tinta de Rorschach (em inglês) usa um princípio semelhante para buscarmos nosso subconsciente.

Se você acredita que as cartas de tarô têm algum poder ou capacidade de iluminar a sua vida, então seus problemas ou seu futuro podem depender da facilidade com que você pode abrir sua mente para essa idéia. Muitos tarólogos têm idéias divergentes sobre como e por que o tarô funciona. Na verdade, alguns dizem que precisamos do tarô apenas para nos ajudar até que aprendamos sozinhos a entrar em contato com nosso "guia interior".

Um pouco de história: é assim tão antigo?

O Bobo
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De acordo com o historiador especialista em tarô, Tom Tadfor Little, tem-se notícia do primeiro jogo tradicional de cartas na Europa em 1375, trazido das sociedades islâmicas nas quais foi usado séculos antes. Essas cartas não eram, entretanto, cartas de tarô. Ele afirma que, dessa época, não há evidências que mostrem que o tarô já houvesse sido criado. Isso vai contra muitas crenças de que o baralho comum seria uma evolução do de tarô.

Só depois de 1440 é que as prováveis cartas de tarô originais foram mencionadas pela primeira vez. Em uma carta do Duque de Milão, há um pedido de vários baralhos das cartas de "triunfo" para serem usadas em um evento especial. A carta diferenciava as cartas de triunfo das regulares cartas de jogo.

Parece que os primeiros baralhos de tarô foram criados como um jogo. Havia quatro naipes com cartas numeradas de 1 a 10 e também cartas reais incluindo rainha, rei, cavaleiro e valete. O baralho também incluía 22 cartas com figuras simbólicas que não pertenciam a nenhum naipe. Os baralhos eram usados em um jogo chamado triunfo similar ao bridge (em inglês). No triunfo, 21 das 22 cartas com figuras especiais eram cartas permanentes do naipe trunfo. O jogo espalhou-se rapidamente por todas as partes da Europa. As pessoas começaram a chamá-lo de tarocchi, que é uma versão italiana da palavra francesa tarot, por volta de1530.

Em 1781, na França e na Inglaterra, seguidores do misticismo descobriram as cartas de tarô. Eles viram as figuras simbólicas das cartas como algo mais significativo do que as simples cartas do triunfo a que estavam acostumados na época. Usavam as cartas como uma ferramenta de adivinhação e, assim, autores místicos escreveram sobre o tarô. Depois disso, o tarô tornou-se parte da filosofia mística.

Há, também, os que acreditam que as cartas de tarô originaram-se no Egito. Alguns grupos acreditam que esse seja o único "livro" sobrevivente do grande incêndio que queimou as bibliotecas da antigo Egito. De acordo com essa teoria, as cartas são consideradas as hieroglíficas chaves para a vida.

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