Escolas de samba no Rio de Janeiro e em São Paulo

Autor: 
Cíntia Costa

O Carnaval do Rio de Janeiro é o mais famoso do Brasil. O centro da festa carioca é o sambódromo onde desfilam as escolas de samba. O concurso é acirrado e conta com uma trilha sonora de batuques empolgantes e cortejos de carros alegóricos e fantasias vistosos e coloridos.

Desfile da mangueira de 2006
Peter Ilicciev/Divulgação
Desfile da Estação Primeira de Mangueira, no sambódromo do Rio em 2006

Cada escola leva à passarela, numa espécie de concurso, milhares de foliões que, fantasiados, saem cantando o samba-enredo da sua agremiação. O samba-enredo - ou samba carnavalesco, é um samba adaptado especialmente para apresentar o enredo do desfile. O ritmo tem origem africana e possui estrutura binária ou quaternária, ou seja, é formado por seqüências de uma pulsação forte e uma fraca ou de uma forte e três fracas. Esse também é o forte do Carnaval de São Paulo.

Mocidade Alegre em São Paulo
Divulgação
Desfile da Mocidade Alegre em 2006,
no sambódromo de São Paulo

As escolas de samba são agremiações ligadas a bairros e morros (Rio) e bairros e times de futebol (São Paulo) e que reúnem milhares de fãs. Elas são uma evolução dos antigos blocos carnavalescos e estão dividas em grupos: Especial, A, B, C, D e E. Os desfiles do grupo especial acontecem durante dois dias. Um júri dá notas para os quesitos bateria, harmonia, evolução, letra do samba, melodia, enredo, fantasia, alegoria, comissão de frente, mestre sala e porta-bandeira. As campeãs desfilam novamente no terceiro dia.

No Rio de Janeiro, o desfile acontece na Passarela do Samba Professor Darcy Ribeiro, conhecida como Sambódromo da Marquês de Sapucaí, o nome da rua na qual foi construído. Cada escola desse grupo conta com quase 5 mil participantes na passarela. Os dois primeiros desfiles no domingo e na segunda-feira, a apuração na quinta-feira e o desfile das campeãs no sábado seguinte.

Curiosidade
A partir de 2007, a prefeitura de São Paulo fez um programa de reflorestamento plantando mudas de árvores na Mata Atlântica, para compensar a pegada de carbono do evento (quantidade de carbono emitido durante os desfiles)

Em São Paulo, o evento é feito no Pólo Cultural e Esportivo Grande Otelo, conhecido como Sambódromo do Anhembi, construído em 1991. O local conta com uma arquibancada especial para turistas estrangeiros (setor G), desde 2006, com recepcionistas bilíngües e kit especial para os visitantes. Os dois desfiles das escolas do grupo especial acontecem na sexta-feira e no sábado, a apuração, na quinta-feira, e o desfile das campeãs fica para o sábado seguinte.

As prefeituras e os estabelecimentos privados das duas cidades promovem uma série de bailes de Carnaval para todas as classes sociais e públicos. No Rio, os destaques são os Bailes da Cinelândia, o Concurso Oficial de Fantasias, os bailes de luxo do Copacabana Palace (Magic Ball e Ball Masqué) e os Bailes Populares. Em São Paulo, o destaque fica por conta dos bailes dos clubes tradicionais, como o Banespa, o Juventus, o Paineiras do Morumbi e o Pinheiros.

Rei Momo

A eleição do Rei Momo e da Rainha do Carnaval é mais uma das tradições carnavalescas. A figura do Rei Momo vem da mitologia romana, em que o personagem é associado ao deboche e à zombaria. Na antiga Roma, durante as festas saturnais, um soldado era eleito para representar o monarca e ser coroado e, após um período de muita diversão de comilança, era morto em sacrifício a Saturno. No Brasil, a tradição começou em 1933 no Rio de Janeiro e foi oficializada por Lei Estadual em 1967 e por Lei Municipal em 1988.

Alguns dos reis eleitos ao longo dos anos pesavam mais de 200 kg. Para poderem se classificar (e aumentarem suas chances), muitos candidatos faziam regime de engorda. Quando a obesidade passou a ser fator de risco, e o combate à doença ganhou contornos mundiais, o peso de Momo passou a ser um problema. Para incentivar um estilo de vida mais saudável, o ex-prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, decretou em dezembro de 2002 o fim do peso mínimo para o Rei Momo - valendo a partir de 2004. Naquele ano, foi escolhido o primeiro Momo magro, com 1,80 m e apenas 85 kg.

Todo ano, o prefeito do Rio dá início às festividades entregando simbolicamente a chave da cidade nas mãos do Rei Momo. Em São Paulo, a eleição é feita pela Corte do Carnaval Paulistano desde 1956. Até 2004, os candidatos a Rei Momo deveriam pesar, no mínimo, 150 kg, mas a pressão para que a figura não fosse associada à obesidade também reduziu o peso mínimo.

São Luiz do Paraitinga

A cidade de São Luiz do Paraitinga, no interior de São Paulo, realiza um Carnaval bem diferente do da capital: em vez do samba, predominam as marchinhas.

Por decreto municipal, são proibidos os outros tipos de ritmos durante o feriado. A prefeitura incentiva composições regionais e, desde 1984, quando foi criado o Festival de Marchinhas Carnavalescas, já reuniu mais de 1.500 canções.

Desfile de bonecos/Sao Luiz do Paraitinga
Divulgação
Desfile de bonecos gigantes em São Luiz do Paraitinga

As vencedoras do concurso são tocadas pelos 22 blocos e 7 bandas oficiais que percorrem a cidade do meio-dia às 4 da manhã. Os blocos são temáticos, bem como as fantasias dos foliões. Os mais famosos blocos temáticos são o do Lençol, do Saci, do Caipira, do Bebum e do Bico do Corvo. Na terça-feira, há um desfile de bonecos gigantes que lembram os de Olinda (PE).

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Durante o dia, as ruas ficam repletas de famílias com crianças, atraídas pelas fantasias e decoração coloridas. À noite, quem faz a festa são os jovens. Quem já foi garante que a tranqüilidade e a segurança são os principais atrativos do Carnaval de São Luiz do Paraiting­a.

A cidade, que fica a cerca de 100 km de São Paulo e a 4 km de Campinas, recebe entre 25 e 30 mil visitantes por dia de folia, o triplo de seus pouco mais de 10 mil habitantes. O diretor de cultura, Galvão Frade, estima que 70% dos visitantes sejam universitários.

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