O carma na cultura popular

A maioria das religiões inclui uma espécie de ímpeto no bom comportamento social. Para muitas religiões orientais, o carma é esse ímpeto. Sua lei decreta que ações positivas e negativas serão eventualmente recompensadas ou punidas. Enquanto o carma funciona como uma lei mecânica, as crenças ocidentais geralmente incluem um julgamento final no final da vida de uma pessoa. As ações boas e más são avaliadas e comparadas no momento da morte.

Helena Blavatsky
Henry Guttmann/Getty Images
Helena Blavatsky ajudou a introduzir o conceito do carma ao Ocidente

No entanto, o conceito de carma continua sendo atraente para pessoas não familiarizadas com suas raízes orientais. O carma sugere que a auto-determinação é possível e que a ação pode influenciar a qualidade do futuro. O carma tornou-se uma filosofia ética da cultura new age, sem vínculos com conotações religiosas. A simples base ética do carma, que o bem gera o bem e vice-versa, está presente na maioria das religiões.

A secularização do carma no Ocidente começou com a criação da Sociedade Teosófica, no final do século 19. A imigrante russa Helena Blavatsky fundou a sociedade com Henry Steel Olcott, um advogado (em inglês) e jornalista, em 1875, na cidade de Nova York (em inglês). Blavatsky originalmente moldou a doutrina do grupo em torno de suas crenças gnósticas e cabalísticas, mas, uma viagem para a Índia (em inglês) em 1879, a levou em direção ao hinduísmo e a uma melhor compreensão sobre o carma. Blavatsky acreditava que os estudos, discussões e meditações da Sociedade Teosófica poderiam ajudar a preparar o mundo para a Era de Aquário, tempos de esclarecimentos e irmandade. Annie Besant, uma mulher britânica, ajudou a aumentar a sociedade e a introduzir crenças hinduístas modificadas ao gosto do Ocidente. Hoje em dia, a Sociedade Teosófica define o carma como uma lei de dinâmica espiritual, relacionada a cada ato de nossa rotina [fonte: Theosophical Society (em inglês)]. Esta é uma visão do carma vagamente ligada à estrutura das filosofias hinduístas, budistas, sikh e jain.

Instant Karma

O sucesso de John Lennon (em inglês) de 1970, "Instant Karma", também falava um pouco sobre a popularização do carma secular no Ocidente. A canção chegou na 3ª posição na parada Top 100 da Bilboard e competiu com a canção dos Beatles "Let it Be", meses antes do anúncio de que a banda estaria se separando. "Instant Karma" inspirou inúmeras versões e uma campanha para salvar Darfur pela Anistia Internacional. A série de televisão "My Name is Earl", cujo slogan é "o carma é uma coisa engraçada...", também inclui uma versão da canção na trilha sonora da temporada de 2006.

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