Treinamento

Uma vez crescido, socializado e bem treinado, o cão retorna à escola de cães-guia para avaliação. Os instrutores de cão-guia procuram por diversas qualidades, incluindo:
  • inteligência
  • vontade de aprender
  • habilidade de se concentrar por períodos longos de tempo
  • atenção a toques e sons
  • boa memória
  • excelente saúde
Mesmo se um cão tiver todas essas qualidades, ainda assim pode ser um candidato fraco ao treinamento. Os instrutores fazem uma triagem de cães muito inteligentes porque eles possuem qualidades indesejadas, tais como:
  • tendências agressivas
  • temperamento nervoso
  • estranhamento de gatos ou outros cães

Após o instrutor passar algum tempo com o cão, ele decide se o animal é um bom candidato ao treinamento de cão-guia, se ele não é adequado ao treinamento ou se ele ainda não está pronto para o treinamento de cão-guia.

Em algumas escolas, se um cão é apto para o treinamento, mas ainda não está pronto, ele deve voltar para o criador de filhote por um mês ou até que esteja maduro. Se simplesmente um cão não é adequado para o treinamento, a escola vai se esforçar para colocá-lo em outro tipo de trabalho, tal como o rastreamento, ou encontrar uma casa permanente para ele (primeiro ele é oferecido ao criador de filhote). Na Olhos-Guia para Cegos, somente 50% dos filhotes permanecem na escola, por esta razão a escola coloca pouco mais de 400 filhotes por ano com criadores, precisando somente de 200 cães para o programa de treinamento. Destes 200, uma pequena porcentagem vai se tornar uma reserva de criação para a escola da Olhos-Guia ou outra escola e o restante será considerado para o programa de treinamento.

O treinamento é um processo rigoroso tanto para o instrutor quanto para os cães, mas é também muito divertido. Para ter certeza de que os cães estão aptos ao desafio, a maioria das escolas os testa por um longo período antes de começar o treinamento. Os testes são projetados para avaliar o nível de autoconfiança, já que somente cães extremamente confiantes são capazes de lidar com a pressão da instrução de guia. Se um cão passa nos testes, começa o programa de treinamento imediatamente.

Escolas diferentes possuem programas diferentes, mas basicamente o treinamento dura de quatro a cinco meses. Para ter certeza de que os cães dominam todas as complexas habilidades de guia, os instrutores têm de introduzi-los a cada idéia gradativamente. Depois de ensinado o que se espera do cachorro, o treinado é essencialmente uma questão de recompensar o desempenho correto e punir o incorreto. Isto funciona com cães porque são animais maleáveis e têm uma necessidade natural de agradar uma figura autoritária. O instrutor, e mais tarde o acompanhante, é simplesmente posto no lugar do cão alfa, o condutor do grupo.

Diferente do treinamento de obediência comum, o treinamento de cão-guia não usa comida como uma recompensa por um bom desempenho. Isto porque um cão-guia deve ser capaz de trabalhar em meio a comida sem ser distraído por ela. Em vez disso, os instrutores usam elogios ou outros sistemas de recompensa para encorajar o desempenho correto. Usando este sistema de recompensa-castigo básico, os instrutores trabalham as habilidades necessárias para o guia.


Foto cedida Olhos-Guia para Cegos
Um instrutor e um futuro cão-guia praticam os passos básicos do treinamento

O primeiro passo é aprender a caminhar como um cão-guia. Isto significa caminhar em uma linha reta, sem ser distraído por atividades ao redor. Também significa manter o passo à esquerda e um pouco à frente do acompanhante e responder tanto às correções da coleira quanto aos comandos verbais. Cães aprendem a caminhar corretamente por etapas. Primeiro, eles aprendem simplesmente a se movimentar de um ponto a outro. Então, com firmeza, os instrutores introduzem distrações cada vez maiores e por fim se aventuram em shopping centers e ruas da cidade e corrigem o cão se o curso for mudado. O processo, que continua por todo o programa de treinamento, é em sua maior parte uma questão de fortalecer o nível de concentração do cão, fazendo com que mesmo a mais tentadora distração não o tire do seu curso.

Os cães também aprendem a parar em meio-fios desde o início. Isto é uma das habilidades mais importante de cão-guia, porque a segurança do acompanhante depende da absoluta maestria deste conceito. Uma vez que os cães aprenderam a sempre parar no meio-fio, eles devem aprender a julgar perigos em potencial antes de atravessar a rua.

Muitas escolas de treinamento têm cruzamentos de ruas simulados em seus campus, podendo expor os cães a inúmeras situações de trânsito. Os cães aprendem a lidar sozinhos com a segurança com carros e desenvolver a habilidade de reconhecer todos os tipos de perigos potenciais. Esta é a parte do treinamento que foca a desobediência seletiva. Para se tornar um cão-guia, cada candidato deve demonstrar maestria absoluta da utilização da faixa de pedestres.

Uma parte difícil do treinamento é ensinar o cão a passar por obstáculos tendo seu acompanhante em mente Os cães aprendem muito rápido a pegar caminhos amplos e desviar de objetos no caminho do acompanhante, para que ele não tropece. Aprender como lidar com espaços estreitos é mais difícil, mas por meio de recompensa e correção, o instrutor gradativamente demonstra ao cão que nunca deve passar por um espaço que é estreito ou baixo demais para seu acompanhante.

Além disso, os cães devem aprender um número de comandos, devem sempre parar em escadas e praticar todas as outras habilidades necessárias até se tornarem naturais. Isto é bastante para aprender e nem todos os cães são bem-sucedidos no programa. Na Olhos-Guia para Cegos, somente em torno de 72% dos cães que entram no programa de treinamento chegam a graduar-se.

Os cães que realmente dominam todas as habilidades no fim do período de treinamento vão para o próximo passo no processo: conhecem seus acompanhantes.