Introdução


Foto cedida Rede AandE de Televisão
O caçador de recompensas Duane Lee "Dog" Chapman prendendo alguém.
No Velho Oeste, quando criminosos como Jesse James e Butch Cassidy perambulavam pela cidade, os xerifes locais não tinham recursos para rastreá-los sozinhos. Então, eles penduravam pôsteres de "Procurado" pela cidade, oferecendo recompensas por sua captura (Jesse James valia U$ 5 mil, o que era muito dinheiro para a época). Os caçadores de recompensas iam, sem dó, atrás dos bandidos para conseguir uma parte do dinheiro da recompensa. Eles faziam o que fosse preciso para trazer os criminosos, "mortos ou vivos".

Atualmente ainda existe o estereótipo do caçador de recompensas vagabundo, mesmo que os mais modernos caçadores de recompensas sejam profissionais treinados e licenciados. O negócio "para todos" do Velho Oeste se transformou em profissão real e é parte integrante do sistema de justiça americano.

Neste artigo, vamos descobrir como funcionam os caçadores de recompensas, aprender sobre o histórico da profissão e seguir Bob Burton, um dos maiores caçadores de recompensa do país, numa busca a um fugitivo.

Quando você vê uma história no noticiário que envolve a prisão de alguém, você pode ouvir algo como "A fiança foi de U$ 100 mil". Uma fiança é estabelecida para garantir que a pessoa responsável pelo crime apareça na corte. Quanto mais grave o crime, maior a fiança. Para os bandidos mais perigosos não se estabelecem fianças, pois eles têm que ficar sob custódia da polícia.


Nem todas as pessoas acusadas de cometer crimes podem pagar suas fianças, que chegam às vezes a centenas de milhares (senão milhões) de dólares. Nesses casos, um fiador proporia um documento de fiança (algo como um empréstimo) em troca de uma porcentagem (normalmente 10%) da fiança total. O fiador iria então assegurar o documento de fiança numa companhia de seguros. O documento de fiança é a garantia de que o acusado aparecerá na corte na data prevista, mas se ele decidir fugir da cidade e não ir à corte (o que 20% deles fazem) o documento de fiança precisará ser pago - e o responsável por isso será o fiador (é por isso que os fiadores normalmente exigem garantias do acusado, como a escritura de um imóvel ou o registro de um carro).

Pelo fato de serem responsáveis pelo valor do documento de fiança e de a polícia nem sempre conseguir achar o criminoso(a), muitos fiadores contratam caçadores de recompensas profissionais ou recuperadores de fugitivos, como eles preferem ser chamados, para capturar os "fujões". Mais de um caçador de recompensa pode ser colocado atrás de um fugitivo, mas os agentes profissionais não gostam de casos com muita competição.

Em troca de seus serviços, os caçadores de recompensa normalmente recebem de 10 a 20% do total do documento de fiança. Um experiente caçador de recompensas que trabalha em 80 a 150 casos por ano pode ganhar de U$ 50 mil a U$ 80 mil anuais, mas os horários são longos e cansativos: às vezes 80 a 100 horas por semana, e o trabalho é duro. "Como caçadores de recompensas, andamos em bairros ruins, conversamos com pessoas grosseiras, bebemos café frio e procuramos pelos criminosos", diz Bob Burton, diretor da The National Enforcement Agency - Agência Nacional de Cumprimento da Lei (site em inglês). A grande recompensa é, ele diz, a adrenalina que dá prender alguém. Burton se refere a isso como "adrenadólares": "por cada dólar que ganhamos prendendo alguém, ganhamos U$ 1 mil em adrenadólares".

Segundo seus próprios cálculos, os caçadores de recompensas são mais eficazes do que a polícia. De acordo com a National Association of Bail Enforcement Agents - Associação Nacional de Recuperadores de Fugitivos (site em inglês), eles prendem aproximadamente 90% de todos os fugitivos.

A caça à recompensa é legal?


Foto cortesia Washington State Dept. of Licensing
Distintivo do agente
 de recuperador
Sim, a caça à recompensa é legal, embora as leis estaduais variem (site em inglês) no que diz respeito aos direitos dos caçadores. Em geral eles têm mais autoridade para prender alguém do que a polícia local. "Quando o réu assina o contrato de fiança, ele faz algo muito importante: joga fora seus direitos constitucionais", diz Burton. "Eles concordam que podem ser presos pelo recuperador de fugitivos e jogam fora a extradição, permitindo que o caçador de recompensa o prenda em qualquer estado".

Tudo o que um caçador de recompensas precisa para prender alguém é de uma cópia do "bail piece" (o papel que indica que a pessoa é fugitiva) e, em alguns estados, de uma cópia autenticada do documento de fiança. Ele (ou ela) não precisa de mandados, pode entrar em propriedades privadas sem ser anunciado e não tem que ler para o fugitivo seus direitos de Miranda antes de prendê-lo, mas existem normas que regulam a profissão. O contrato de fiança dá aos caçadores de recompensa o direito de entrar na casa de um fugitivo, mas só depois de ter certeza de que a pessoa mora ali. Eles não podem entrar nas casas de amigos ou familiares para procurar pelo fugitivo.

Alguns Estados exigem que os caçadores de recompensa sejam licenciados, outros exigem que eles se registrem naquele(s) Estado(s). Somente alguns Estados (Kentucky, Illinois e Oregon) proíbem que os caçadores de recompensa prendam pessoas. Nesses Estados eles precisam ter uma ordem judicial, e então o juiz pede que a polícia local prenda o fugitivo. O caçador de recompensa pode solicitar que o prisioneiro seja detido sob sua custódia.

Algo que um caçador de recompensa nunca pode fazer é "caçar" fora dos Estados Unidos. Os caçadores de recompensa podem ser presos (e até feridos) se ultrapassarem fronteiras internacionais.

Quando os caçadores de recompensa são pegos
do lado contrário da lei

Foto cedida Rede AandE de Televisão
Duane Lee "Dog" Chapman

Os caçadores de recompensa estão dentro da lei, mas às vezes acabam indo para o lado contrário dela. Em 2003, quando Duane Lee "Dog" Chapman capturou o estuprador condenado (e herdeiro da Max Factor) Andrew Luster, no México, ganhou muita atenção da mídia e recebeu uma recompensa de U$ 1 milhão, mas também teve problemas com a lei porque a caça à recompensa é ilegal no México. Assim, o governo mexicano o prendeu. Ele pagou fiança e foi solto, mas, numa troca irônica, Chapman deixou de ir à corte quando deveria, tornando-se, assim, um fugitivo.

Em 14 de setembro de 2006, Chapman e dois de seus sócios foram presos no Havaí sob as acusações de detenção ilegal e conspiração relacionadas ao caso da captura de Andrew Luster. Chapman está atualmente na prisão, esperando sua extradição para o México.