Fofocas em suas diversas modalidades

Autor: 
Tracy V. Wilson
Pessoas felizes,
fofocas felizes
Em geral, pessoas felizes espalham mais fofocas positivas e pessoas infelizes espalham mais fofocas negativas. Além disso, as pessoas geralmente espalham informações negativas sobre seus inimigos e informações positivas sobre seus aliados.

A fofoca é um poço de contradições. As pessoas fofocam mesmo acreditando que não deveriam fazê-lo. A fofoca pode proteger a reputação de uma pessoa e ao mesmo tempo destruir a de outra, podendo ainda estabelecer um laço entre duas pessoas que estão traindo a confiança de uma terceira. Quem fofoca demais pode ficar com fama de não ser digno de confiança ou de falar demais. Mas quem não fofoca pode ser considerado distante, fechado ou esnobe. Esses exemplos exploram os diferentes lados da fofoca e suas implicações morais.

Maldade proposital
Mário, Emília e Jonas estão no primário. Mário diz a Emília que Jonas foi reprovado em uma prova. Com essa fofoca, Mário estabelece que é mais inteligente que Jonas, implicando que Emília também seja. Emília e Mário se posicionam como melhores que Jonas, o que pode elevar sua distinção social em relação a este último e ao resto da classe.

Essa fofoca provavelmente fará com que os colegas de classe caçoem de Jonas, deixando-o magoado. Além disso, Mário e Emília terão de continuar fofocando sobre seus colegas de classe para manter sua posição de maior popularidade dentro do grupo social. Isso é muito comum quando o assunto é fofoca - pessoas se comparam favoravelmente a outras, o que eleva seu próprio status dentro de um círculo social e rebaixa o de outra pessoa. A fofoca falsa ou difamatória geralmente funciona dessa mesma forma.

Duas garotas encontram uma frase maldosa na lousa, escrita por outra garota.

Nós contra eles
Mírian faz parte de um coral e, depois de ser escolhida como uma das líderes do grupo, começa a relaxar: falta aos ensaios, chega atrasada e vai embora mais cedo. Dois outros membros do grupo, Vera e Davi, geralmente chegam cedo e ficam até mais tarde para ajudar os colegas. Também se candidataram para organizar e guardar todas as partituras do grupo. Um dia, entra no coral um novo membro chamado Michel. Depois do ensaio, Vera e Davi levam Michel para jantar e contar sobre os hábitos de Mírian.

Essa conversa permite às três pessoas envolvidas criarem um laço - em geral, pessoas que se unem contra um problema ou inimigo comum ficam mais próximas. De fato, o grupo como um todo pode ficar mais forte e compensar a ausência de Mírian. Esse é outro uso comum da fofoca - um estudo mostrou que a quantidade de fofoca em um ambiente grupal chega a seu máximo quando a equipe considera um de seus membros ineficiente ou incapaz.

Essa fofoca também serve para que Michel saiba o que Vera e Davi esperam dele. Ele já fica sabendo antes sobre os problemas que pode enfrentar com Míriam. No entanto, alguns diriam que Vera e Davi estão apenas falando mal de uma colega e não tomando medidas para tentar resolver o problema.

Uma mulher contando uma fofoca a outra.

Assuntos delicados
Roberto foi demitido repentinamente. Seus companheiros de trabalho começam a se preocupar com os próprios empregos, já que Roberto era querido por todos e eficiente e foi mandado embora sem motivo aparente. A preocupação começou a tomar conta de todos à medida que cada um achava que poderia ser o próximo. Logo, o pessoal descobriu por vias secretas que Roberto estava roubando dinheiro da campanha de fundos para caridade da empresa da qual era coordenador.

Os colegas de Roberto precisavam dessa informação para se sentirem seguros no trabalho, mas não seria apropriado para a empresa divulgá-la. Nesse tipo de situação, as fontes de informação oficiais da empresa não podem responder às perguntas de seus funcionários, que então recorrem a fontes não-oficiais. Por isso, a fofoca é corriqueira em empresas em que não há uma boa comunicação com os funcionários.

A divulgação dessas informações poderia ser considerada uma violação da privacidade de Roberto ou um tipo de agressão a ele. Além disso, pode-se dizer que a confiança das pessoas em Roberto é mais importante que a certeza de segurança dessas pessoas em relação ao trabalho.

Esse exemplo também demonstra uma característica comum de muitas fofocas. Muita gente provavelmente reagiria à notícia dos roubos de Roberto com descrença. Entretanto, todos acreditam que a fonte da informação está dizendo a verdade - então a descrença desaparece. Embora a idéia de que alguém respeitável e responsável como Roberto pudesse ser um ladrão pareça absurda, as pessoas passarão essa idéia adiante se acreditarem que ela é verdadeira.

Ajudando uns aos outros
Amanda mora em um apartamento. Uma noite, alguém entra no apartamento de cima. Amanda sabe que seus vizinhos de cima eram traficantes de drogas e que haviam sido presos recentemente. O proprietário do prédio os expulsou, mas eles deixaram a maior parte de suas coisas no apartamento. A polícia supõe que o ladrão comprou drogas dos vizinhos e invadiu o apartamento procurando drogas ou dinheiro.

Amanda está surpresa, pois pensava estar em um bairro seguro. O proprietário limpa o apartamento de cima e o aluga para uma família que tem uma filha jovem. Preocupada com a segurança dessas pessoas, Amanda conta aos novos vizinhos sobre os antigos moradores e a invasão.

A maioria das pessoas considera a fofoca algo negativo, mas nessa situação Amanda pode se sentir moralmente obrigada a fofocar. Ela está dando a seus vizinhos informações que eles precisam ter para garantir sua integridade física. Ela e os vizinhos também desenvolvem, durante a conversa, um laço de confiança que facilitará que, no futuro, eles confiem uns nos outros e possam se ajudar.

Fofoca na mídia

O jornalista precisa estar sempre atrás de notícias. E com o jornalista ou fotógrafo especializado em fofocas essa correira em busca de notícias é muito semelhante a uma corrida. A fofoca vende revistas, dá audiência aos programas de televisão e rádio. As fofocas e boatos envolvendo famosos sempre chamaram a atenção das pessoas. Normalmente são histórias curtas, com certo tom de malícia e que tem passagem muito rápida pelos meios de comunicação.

Como mostram esses exemplos, a fofoca e os boatos podem conscientizar as pessoas de regras sociais geralmente não faladas e oferecer uma advertência acerca do que pode acontecer se as regras forem desobedecidas. A fofoca também pode assumir vida própria, espalhando-se por lugares bem distantes do círculo social em que se originaram. Muitas vezes, as pessoas acreditam sem questionar nos boatos que ouvem, mesmo com provas de que não são verdadeiros.

Para mais informações sobre fofoca e boatos, confira os links na próxima página.