Em geral, o mundo laico também condena a fofoca. Os pais, os livros de auto-ajuda e os conselheiros ensinam que as pessoas devem evitar a fofoca. Livros sobre gerenciamento empresarial apresentam a fofoca como uma ameaça à saúde e à estabilidade de uma organização porque ela diminui a moral e desperdiça o tempo dos funcionários.
Algumas empresas permitem comunicadores instantâneos - instant messaging - no ambiente de trabalho (como o MSN Messenger e o ICQ, por exemplo). Essa é uma ferramenta de comunicação muito eficaz quando o funcionário sabe utilizá-la de maneira consciente, separando a hora do trabalho da hora de conversar com amigos. Infelizmente, por muitos, acaba sendo utilizada como um facilitador de fofocas. Pesquisadores aconselham que as empresas utilizem de algum tipo de controle sobre essa ferramenta para evitar o uso abusivo no horário de trabalho, vírus em seus computadores e o vazamento de informações confidenciais da empresa. Além disso, a fofoca no ambiente de trabalho pode causar danos e aborrecimentos à pessoas que são alvos dos comentários. |
Nos Estados Unidos, a organização sem fins lucrativos Words Can Heal (em inglês) alerta que a fofoca é perigosa e prejudicial e oferece ajuda sobre como parar de fofocar.
![]() Apesar de os adultos passarem até dois terços de seu tempo de conversações fofocando, somente 5% desse período é gasto com fofocas negativas |
Mas a maior parte das pessoas fofoca mesmo - e apesar da má fama da fofoca, nem sempre se trata de espalhar mentiras ou difamar. Pesquisas indicam que os adultos - independentemente de serem homens ou mulheres - gastam entre um quinto e dois terços do tempo de que dispõem para conversar fofocando, mas que somente 5% desse tempo é gasto com fofocas negativas.
O conhecido psiquiatra José Angelo Gaiarsa, dono de opiniões polêmicas e que durante alguns anos trabalhou em um programa de variedades em uma conhecida rede de televisão, em seu livro "Tratado Geral Sobre a Fofoca" fala a respeito da fofoca de maneira séria e bastante sugestiva. Gaiarsa afirma que somente 20% das informações trocadas entre as pessoas são realmente úteis e que a fofoca está diretamente ligada a insatisfação que as pessoas sentem com relação às suas vidas. Ele argumenta também que nós estamos sempre envolvidos em fofoca, seja como vítimas, seja como agentes. Veja um trecho (extraído do capítulo 3 - "Uma Hipótese Chamada Fofoca"): "Todos nós nós sentimos VÍTIMAS da fofoca - quando ela chega a nós. Mas ninguém se sente AGENTE da fofoca. Estranho, não? Nesse livro tão contundente, ele também dá algumas dicas bem humoradas de como se proteger das fofocas. |
De modo geral, os pesquisadores começaram a se interessar pela fofoca há pouco tempo. A fofoca é tão corriqueira que algumas pessoas fofocam sem se dar conta. Isso fez com que alguns pesquisadores a considerassem algo a ser ignorado em vez de estudado. Em outras palavras, lingüistas e cientistas sociais viam a fofoca como um bate-papo despropositado.
![]() Imagem cortesia Mike Swope/MorgueFile Alguns pesquisadores acreditam na teoria de que a fofoca funciona nas sociedades humanas da mesma forma como o coçar nas sociedades primatas |
No entanto, quando os cientistas estudaram a fofoca, criaram teorias e conclusões bem interessantes. Alguns pesquisadores acreditam que a fofoca começou como uma forma pela qual os primeiros humanos conheciam seus vizinhos para determinar em quem podiam confiar, o que a tornava uma ferramenta necessária para a sobrevivência. Robin Dunbar, autor de "Grooming, Gossip and the Evolution of Language", apresenta uma teoria segundo a qual a fofoca nas sociedades humanas tem o mesmo papel que o coçar nas sociedades primatas, porém com mais eficiência. Dunbar foi mais longe e afirmou que a linguagem evoluiu para que as pessoas pudessem fofocar e, assim, estabelecer e defender seus grupos sociais de forma mais eficaz.
A idéia de Dunbar pode parecer um pouco forçada, mas pesquisadores relatam que a fofoca tem muito em comum com o coçar, além do estereótipo de mulheres fofocando em um salão de beleza:
A fofoca pode desempenhar papéis diferentes nas interações sociais. Ao fofocar, as pessoas:
Contudo, isso não significa que todas as fofocas sejam boas. Muita gente faz fofocas maldosas pelo simples desejo de prejudicar os outros ou por um inexplicável prazer. Às vezes, o fazem por gostar do sentimento de superioridade, presunção, vingança ou de schadenfreude - palavra de origem alemã que significa satisfação obtida com a desgraça alheia. Tem gente que espalha fofocas negativas para aumentar seu próprio status social à custa dos outros.
Por tudo isso, é difícil apoiar a fofoca como uma ferramenta social necessária ou depreciá-la como um mal social desnecessário. A seguir, analisaremos essas questões complexas, usando alguns exemplos específicos.