Bioterrorismo: agentes da destruição

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) lista 39 agentes que têm o potencial de serem usados como armas biológicas, incluindo vírus, bactérias e toxinas. Antes de sair correndo para comprar uma máscara de gás, você deve saber que muitos desses agentes não são prováveis de serem usados devido a sua natureza. Na maioria dos casos, seria necessária uma quantidade enorme de qualquer agente para causar doenças ou infecções em números massivos. Tome como exemplo a ricina: seriam necessárias cerca de oito toneladas métricas dessa toxina mortal para alcançar 50% de letalidade sobre uma área de 100 km² [fonte: CDC (em inglês)]. Estatísticas desse tipo tornam mais fácil restringir a lista de possíveis agentes letais que um terrorista poderia usar.

Para ajudar a categorizar e priorizar o estudo desses agentes, o Centro de Controle de Doenças (CDC) os separa em três grupos principais.

  • Categoria A - facilmente disseminado e com alto potencial para pânico, desordem e perdas em massa.
  • Categoria B - maior dificuldade de disseminação, com taxas moderadas de doença e baixas taxas de mortes.
  • Categoria C - patógenos emergentes que possuem potencial de serem letais e facilmente disseminados.

Os agentes da categoria A são os únicos suspeitos de serem ameaças bioterroristas viáveis. Veja a seguir quais agentes estão incluídos nessa categoria.

  • Antraz - esporos que podem infectar os seres humanos por meio do toque, da ingestão ou da inalação.
  • Botulismo - doença causada por uma bactéria tóxica normalmente ingerida através de alimentos infectados, e que causa paralisia muscular.
  • Varíola - doença altamente contagiosa, às vezes fatal, e que só pode ser prevenida por vacinação
  • Peste negra - doença contagiosa causada por bactérias encontradas nas pulgas de ratos ou em outros roedores.
  • Tularemia - altamente infecciosa, porém não contagiosa, essa doença de roedores também é conhecida como "febre de coelho".
  • Febres hemorrágicas virais - grupo de doenças causadas por vírus como o Ebola e o Marbug.

Os agentes da categoria B são a salmonela, a ricina, o cólera, a tifo e a febre ondulante. Esses agentes possuem menor prioridade para o CDC devido à improbabilidade de serem usados em um ataque terrorista. Quanto aos agentes da categoria A, vírus como o Ebola são caros para se produzir e tecnicamente exigentes para se sustentar, além da dificuldade em serem espalhados em grandes doses com êxito. Isso faz com que sejam menos prováveis de serem usados em um ataque terrorista, mas o fato de poderem se espalhar de um humano para outro os mantém na categoria A.

As bactérias são muito mais fáceis de se produzir do que os vírus, portanto elas continuam sendo os mais prováveis agentes para o bioterrorismo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) realizou um estudo em 1970 e concluiu que o antraz e a tularemia encabeçavam a lista das bactérias mais letais e com a maior expansão por via aérea. A taxa de mortes por antraz não tratado é maior que 80% e como ele pode ser contraído de três formas diferentes, está no topo da lista como uma potencial ameaça biológica.

Entre os vírus, o da varíola é a exceção, e está classificado ao lado do antraz como a mais perigosa ameaça em potencial. A varíola também pode ser transmitida pelo ar e pode ser fabricada em grandes doses. Há relatos de que a União Soviética produzia toneladas de varíola durante o auge da Guerra Fria e de que o Iraque conduziu experimentos com a produção de uma doença aparentada que ataca os camelos. Embora a varíola tenha sido erradicada por meio da vacinação, acredita-se que não mais de 20% da população mundial ainda seja imune. A varíola também é altamente contagiosa, com um único caso sendo capaz de contaminar cerca de 20 pessoas em curto prazo.

Na próxima seção, veremos os grupos mais prováveis de se envolverem em bioterrorismo e os métodos que poderiam usar.