Bertrand Russell e o rigor lógico
 Enciclopédia Delta Universal Bertrand Russell
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A Guerra Civil Americana mal terminara e
Nietzsche estava no auge de sua produção intelectual quando Bertrand Russell nasceu em 18 de maio de 1872 em Trelleck, na fronteira do País de Gales. Era uma época de apogeu do Império Britânico e Russell pertencia a uma família aristocrática da Inglaterra Vitoriana. Mas sua primeira infância foi marcada por tragédias. Antes dos cinco anos de idade já tinha perdido a mãe, o pai e a irmã. Ele e seu irmão mais velho foram criados pelos avós paternos. Lord Russell, o avô deles, havia sido primeiro-ministro britânico em duas ocasiões e a chegada dos irmãos Russell mereceu até uma carta da Rainha Vitória parabenizando Lady Russell.
Bertrand recebeu sua educação em casa por meio de tutores e isolado de outras crianças enquanto seu irmão mais velho foi enviado ao colégio. A solidão de Bertrand começou a ser quebrada quando ele tinha 11 anos de idade e seu irmão Frank decidiu lhe ensinar geometria. A beleza abstrata da matemática o encantou e o ajudou a afastar a idéia do suicídio que frequentemente lhe vinha à cabeça. Russell acreditava que o mundo abstrato da matemática lhe daria a certeza que lhe faltara nos primeiros anos de vida. Aos 16 anos Russell foi para um internato em Londres fazer um curso preparatório onde passou dois anos. Em 1890, ganhou uma bolsa de estudos para o Trinity College, em Cambridge, onde Isaac Newton havia estudado e dado aulas.
No período em Cambridge mergulhou nos estudos da matemática, mas o nível do ensino o decepcionara e no quarto ano voltou-se para a filosofia. Suas primeiras influências foram a metafísica e o idealismo de Hegel. Pouco antes de ir para Cambridge, Russell havia se enamorado por Alys Pearsall Smith, uma quacre americana cinco anos mais velha, e quando ele completou 21 anos se casaram contrariando a opinião de Lady Russell. Ao se formar em filosofia, Russell foi eleito
fellow do Trinity College, um cargo que lhe deixava como obrigação apenas pesquisar. Nesse período, Russell e Alys viajaram pela Europa e passaram um longo período na Alemanha, onde Russell escreveu o livro “Socialdemocracia Alemã”, revelando seu novo interesse: a política.
Na volta a Cambridge, Russell percebeu que o idealismo de Hegel não dava conta da realidade da experiência física e adotou uma visão empírico-materialista do mundo. Ele decidiu também enfrentar uma questão que lhe incomodava desde que seu irmão o apresentou à geometria euclidiana e seus axiomas: como se poderiam descobrir os princípios fundamentais sobre os quais se erguia a matemática? Após conhecer o matemático italiano Giuseppe Peano e sua proposta de trabalhar os fundamentos do número, Russell ficou entusiasmado pelo
rigor lógico e acreditou que aquilo o ajudaria a desenredar os princípios básicos da matemática. Em 1903, ele publicou a obra “Os Princípios da Matemática” que o consagrou como um pensador de primeira grandeza, notadamente na Europa. Mas Russell não estava contente. Pretendia escrever um segundo volume no qual firmaria sua argumentação na forma mais precisa dos símbolos lógicos.
Durante dez anos, Russell e seu professor de matemática em Cambridge, Alfred North Whitehead, desenvolveram o projeto que pretendia mostrar que a lógica é a juventude da matemática e a matemática é a maturidade da lógica. No meio desse caminho, encontraram uma falha que atingia o núcleo da argumentação lógica deles, que ficou conhecida como paradoxo de Russell. Levaram anos para superá-lo e não o conseguiram fazer completa e satisfatoriamente. Ainda assim, a obra “Principia Mathemática”, que foi o resultado desse esforço hercúleo publicado em três volumes a partir de 1909, foi recebida como um marco na história do pensamento e influenciou profundamente a investigação matemática, científica e filosófica por toda a Europa.