Filosofia do controle de multidões

Prevenção
As unidades de controle de rebeliões, atualmente, não são chamadas de batalhões de choques - elas são unidades de controle de multidões. Em vez de tentar "chocar-se" contra os desordeiros em brigas, a polícia apenas tenta acalmá-los e fazê-los ir para casa. O uso da força, mesmo que não seja a força letal, é o último recurso.


Foto cedida pelo Departamento de Defesa
Os membros da Força Aérea dos Estados Unidos passam por um treinamento de controle de rebeliões planejado na Base da Força Aérea de Vandenberg, na Califórnia

O primeiro passo no controle de multidões é ter certeza de que a rebelião não acontece no primeiro local. Embora algumas rebeliões comecem inesperadamente, elas estão freqüentemente ligadas a protestos planejados e greves organizadas. Quando a polícia pensa que existe a chance de tal situação ficar fora de controle, eles entram em contato antes com os organizadores e líderes do protesto ou greve. Eles estabelecem regulamentos básicos que os manifestantes devem seguir, e designam uma área específica para o evento acontecer. A polícia envia oficiais especialmente treinados para monitorarem o evento. A questão é que a polícia simplesmente estará presente e prestará seus serviços para garantir que as pessoas fiquem seguras. Somente se os regulamentos básicos forem quebrados, os policiais poderão agir, se necessário.

Mesmo que os próprios oficiais não concordem com as opiniões dos manifestantes, eles são treinados para manter uma atitude imparcial. "Isso faz parte dos Estados Unidos", disse o Sargento Bauer do Departamento de Polícia de Cheektowaga. "Você tem que ter opinião." Os oficiais tentam não ver os manifestantes como inimigos. Ao contrário, reconhecem que eles fazem parte da comunidade e que a polícia é incumbida de proteger e servir. "Você não pode agir como uma tropa de assalto", afirmou o Sargento Bauer.

Embora os oficiais sejam treinados para serem educados com as pessoas na multidão, eles cuidam para não parecerem bajuladores. A polícia sempre tem que ser vista como estando no comando e no controle, mesmo enquanto estiver passiva e permitr que a multidão aja dentro dos regulamentos básicos mostrados antecipadamente.

Contudo, às vezes, essas medidas preventivas não funcionam, e explode uma rebelião, apesar dos esforços da polícia para manter todo mundo calmo.

Equívocos passados
Muitos métodos usados pela polícia e soldados para controlar as rebeliões no passado realmente só as pioravam. Na verdade, somente nas últimas décadas, foram desenvolvidas estratégias efetivas de controle de rebeliões.

Os batalhões de controle de rebeliões mais antigos tinham uma mentalidade de "polícia contra manifestantes". Eles abordavam uma rebelião como uma batalha, em que eles tinham que bater ou atirar nos manifestantes. Um batalhão de choque formaria uma linha de combate e se dirigiria aos manifestantes balançando os cassetetes. Geralmente, eles tentariam manter os manifestantes em uma esquina para não deixá-los escapar. Isso apenas intensificou o medo e a raiva dos manifestantes e aumentou a violência.

Há muitos exemplos em que a polícia designada para auxiliar as pessoas e pôr um fim nos tumultos, preferiu fazer parte da rebelião. Isso equivaleria a simplesmente ficar parado e assistir ao tumulto enquanto ocorre a rebelião ou realmente se juntar a um dos lados para lutar contra o outro, caso a rebelião tivesse dois grupos rivais. Nas piores situações, por outro lado, multidões pacíficas foram atacadas por policiais. Nesses casos, os próprios policiais foram os desordeiros.

Conflito

Força mortal
A polícia determina se vai utilizar ou não a força em uma rebelião, usando as mesmas diretrizes de qualquer outra situação. As regras para uso da força letal são resumidas nas leis estaduais e federais. Essencialmente, somente justifica-se a força mortal quando for usada para evitar que alguém mate outra pessoa.

Um desordeiro que está prestes a bater um bastão de beisebol na vitrine de uma loja não pode ser alvo da força letal, mas "se vejo alguém correndo atrás de um policial querendo bater com o bastão na sua cabeça, o uso de qualquer força necessária para defendê-lo seria justificada", disse o Sargento Bauer.


Se uma multidão descontrolar-se e começar a agir violentamente, a polícia passará a tomar atitudes mais agressivas. Suas ações refletem o fato de que quase todas as rebeliões são incitadas e lideradas por algumas pessoas que se sentem mais fortes ou que têm algo a ganhar com um confronto violento. A maioria das pessoas presentes aparece porque algo interessante está acontecendo ou porque é espectadora que se deixou levar pela mentalidade de tumulto. Vendo a possibilidade de prisões ou confrontos com a polícia, a maioria delas simplesmente quer fugir e voltar para casa.

O primeiro passo é a simples intimidação. Os policiais de rebeliões mantêm-se em formações cuidadosas e agem com precisão militar. Uma vez que formam as tropas - linhas de oficiais que trabalham efetivamente como barreiras - os oficiais batem seus bastões em seus escudos ou batem os pés harmoniosamente. O resultado pode ser bastante assustador para civis desarmados - é como se esse grupo de oficiais armados e protegidos estivesse pronto para atacar com seus cassetetes em movimento. Na verdade, essa manifestação é para assustar os desordeiros sem que os oficiais se aproximem deles.

A polícia não tenta prender cada desordeiro. Os primeiros alvos são aqueles que lideram a rebelião, pois, geralmente, a multidão se dispersa sem seus líderes para induzi-los e encorajá-los. Todas as pessoas marcadas por infringirem uma lei também são alvos, especialmente se agredirem ou matarem outra pessoa.

Quando chega ao ponto de os oficiais realmente entrarem em conflito com os desordeiros, o objetivo ainda continua sendo dispersar a multidão. A combinação de avanço das linhas de oficiais e o uso de gás nocivo é usada para conduzir a multidão a uma certa direção ou mantê-la longe de uma certa área. A multidão nunca é retida - aos desordeiros sempre é dada uma rota de fuga, já que o ponto principal é deixá-los fugir.

Para obter mais informações sobre o controle de rebeliões, controle de multidões e assuntos relacionados, veja os links na próxima página.