Procedimentos da autópsia: exame externo

Autor: 
Robert Valdes

O corpo é recebido no consultório do médico legista ou hospital dentro de um saco plástico preto para transporte de cadáveres ou é envolto em um lençol estéril. Se a autópsia não for feita imediatamente, o corpo será refrigerado no necrotério até o exame.


Imagem cedida por Sacramento County Coroner's Office
Os corpos são transportados em vans especialmente equipadas.; elas não possuem nada que as identifique como transporte de cadáveres

Um saco plástico completamente novo é usado para cada corpo. Isso assegura que somente as evidências daquele cadáver estarão contidas ali. Os sacos são fechados e lacrados, para prevenir qualquer contaminação ou perda de indícios durante o transporte.


Imagem cedida por Sacramento County Coroner's Office
Os corpos chegam em invólucros para cadáver ou em coberturas como essa

Os lençóis estéreis são um modo alternativo de transportar o corpo. É uma espécie de lençol com que o corpo é coberto quando está sendo transportado. Os investigadores usam sacos plásticos e coberturas novas para cada corpo.


Imagem cedida por Sacramento County Coroner's Office
Às vezes, é usado um equipamento especial para ajudar a remover os corpos

Ele é transportado dentro do saco ou coberto pelo lençol até a sala de exame. A pessoa responsável por manusear o corpo é normalmente chamada de auxiliar de necrópsia , que é um atendente do necrotério. É responsável por transportar e limpar o corpo e, em alguns casos, ajudar na autópsia. O auxiliar também limpará a sala de exame quando o procedimento terminar. Essas funções podem variar de local para local.

Vestimenta usada na autópsia

  • Roupa cirúrgica
  • Avental cirúrgico
  • Luvas (dois pares)
  • Cobertura para o calçado (propé)
  • Protetor facial de plástico transparente

Quando o corpo é recebido dentro de um saco plástico para cadáver, os selos são quebrados e o corpo é fotografado dentro dele. Na autópsia forense, é importante que o médico legista observe as roupas do morto e a posição delas. Isso porque depois que as roupas são removidas para o exame, qualquer evidência relativa a elas não pode mais ser documentada.

São colhidas evidências das superfícies externas do corpo. Amostras de cabelo, impressões digitais, resíduos de disparo (se houver), fibras, lascas de pintura e qualquer outro objeto estranho encontrado na superfície do corpo são coletados e anotados.

Se for uma investigação de homicídio, as mãos do morto serão colocadas dentro de sacos no local do crime. O médico legista abrirá os sacos e removerá resíduos e amostras das impressões digitais. Então, os sacos serão removidos, dobrados e guardados junto com as amostras, como parte das evidências.

Guerra e paz
De acordo com o National Safety Council, as probabilidades de você morrer devido a operações de guerra são cerca de 1 em 217.231.*

*Estatísticas compiladas de um estudo feito em 2001. As probabilidades se aplicam apenas a pessoas vivendo nos Estados Unidos.

Em alguns casos, uma radiação UV especial é usada para realçar secreções na pele ou nas roupas. Essa radiação faz com que as secreções fiquem fluorescentes, de modo que possam ser colhidas para as amostras.

Se o protocolo exigir, o corpo será radiografado ainda dentro do invólucro. Esse é um passo importante. O Dr. Kiesel explica por que:

    "Outro dia, recebi um corpo de alguém que levou um tiro. O cadáver chegou, nós o radiografamos através do saco plástico, retiramos o corpo, fizemos a autópsia e encontramos todas as balas, exceto uma, que ficou dentro do invólucro. Na verdade, ela atravessou o corpo e ficou por baixo dele. Pelo raio-X, parecia que ainda estava dentro do corpo, embora não estivesse".


Imagem cedida por Sacramento County Coroner's Office
Um corpo sendo radiografado dentro da cobertura

Depois que todas as evidências são coletadas, o corpo é removido do saco ou do lençol. Depois, é despido e os ferimentos são examinados. Isso é feito antes da limpeza do cadáver.

Após o corpo ser limpo é pesado e medido antes de ser colocado na mesa de autópsia para um novo exame. A mesa é de alumínio e inclinada, com as beiradas mais altas e com várias torneiras e drenos. Esses equipamentos são usados para lavar o sangue acumulado durante a investigação interna. Os tipos de mesa usados variam de local para local. O corpo é virado de frente e coloca-se um suporte embaixo de suas costas. O suporte é um "tijolo" de borracha ou de plástico que faz com que o tórax do morto fique para frente, enquanto os braços e o pescoço caem para trás. Essa posição facilita a abertura do tórax.


Imagem cedida por Sacramento County Coroner's Office
Os técnicos usam um equipamento de proteção para prevenir infecções

Nesse momento, é feita uma descrição geral do corpo. Todas as características que o identificam são anotadas, como:

  • etnia
  • sexo
  • cor e comprimento do cabelo
  • cor dos olhos
  • idade aproximada
  • qualquer característica identificadora (cicatrizes, tatuagens, marcas de nascença etc)


Imagem cedida por Sacramento County Coroner's Office
Um corpo é pesado enquanto se tiram as impressões digitais do outro, antes do exame externo

Essas características são registradas em um gravador de voz portátil ou em um formulário de exame padronizado. Além das características normais, qualquer anormalidade externa é anotada nesses relatórios. O Dr Kiesel faz um o resumo do exame externo:

    "Geralmente separamos nossa descrição geral dos indícios de trauma e dos indícios de intervenção médica em categorias diferentes. Tiramos uma amostra de sangue e começamos a coletar material para toxicologia (estudo dos efeitos de substâncias químicas no corpo humano). Então, abrimos o corpo".

Nas próximas seções falaremos sobre o exame interno.