Introdução


autodefesa verbal

Muita gente pensa que autodefesa verbal significa retaliar. Sua imagem da autodefesa verbal é uma coleção de respostas inteligentes e estratégias retóricas que derrotam os seus oponentes. Esta não é a imagem correta.

Neste artigo, veremos um modo diferente de se relacionar, especialmente quando você discorda. Vamos conversar um pouco sobre isso.

Por que a autodefesa verbal é uma habilidade necessária

Certamente esta situação já aconteceu com você. No meio de uma discussão feroz com alguém, você percebe que não está mais preocupado com a origem da discussão e não consegue nem entender como você entrou nela!

Isto não é trivial. A linguagem hostil é perigosa à sua saúde e bem-estar - é tóxica. Pessoas freqüentemente expostas à linguagem hostil adoecem mais vezes, são prejudicadas mais vezes, levam mais tempo para recuperar-se de doenças e sofrem mais complicações durante a recuperação. Como resultado óbvio, tendem a morrer mais cedo. Além disso, a linguagem hostil é tão perigosa à pessoa que a usa (e curiosos inocentes que não conseguem deixar a cena) como à pessoa que recebe.

Obviamente, você tenta ficar fora de discussões tanto na sua vida pessoal como na sua vida profissional, a menos que algo realmente importante - algo com que você se preocupa a fundo - esteja em jogo. Ainda assim, a maioria das pessoas percebe que é possível evitar que discussões intensas se tornem brigas. Como é que tanta gente inteligente continua se envolvendo em discussões então?

A resposta é bastante simples e é herança do tempo em que lutávamos com tigres dentes-de-sabre cotidianamente. Uma das partes do seu cérebro (a amídala) está constantemente em funcionamento e uma das suas principais tarefas é perceber o perigo. Quando ela encontra algo que identifica como característica de perigo, envia uma mensagem que provoca reação de lutar-ou-correr imediata e pode fazer isto sem atravessar a parte racional do seu cérebro. Ela literalmente põe seus pensamentos em curto-circuito. Nos tempos das cavernas, isto era uma coisa boa. Você via algo vagamente grande e peludo e corria ou jogava sua lança. Você agia primeiro e depois pensava, o que aumentava muito as suas chances de sobrevivência.

Brasileiro em campo de futebol
O brasileiro tem o hábito de xingar a mãe do juíz com palavrões, obscenidades etc, no futebol.  

Esta parte do seu cérebro ainda pode ser uma coisa boa nas raras ocasiões em que você realmente enfrenta um perigo súbito que ameaça a sua vida, como tufões, terroristas ou atiradores loucos. O problema é que provavelmente esta mesma parte do cérebro írá reagir quando a ameaça for apenas uma pessoa boba que quer discutir se o computador dele é melhor que o seu. Se a amídala achar que essa pessoa é uma ameaça , ela contorna a parte racional do seu cérebro. E logo você vai estar pensando , "eu não estou NEM AÍ se o meu computador tem mais memória do que o computador desta MULA! Como é que entrei NISSO? E como é que SAIO disso pra poder continuar o meu dia?" Isto pode acontecer com qualquer pessoa de vez em quando; todos nós perdemos a noção às vezes. Mas se acontece muitas vezes, é uma grave ameaça ao seu bem-estar. É muito mais perigoso para você do que a maior parte das coisas em que você gasta tempo e dinheiro para tentar se proteger. Você tem de saber como pôr fim neste absurdo.