Como funciona a Arca da Aliança

Autor: 
Sílvio Anaz

Após meses de caminhada errante por um deserto impiedoso milhares de pessoas estavam impacientes e desesperançadas. O homem à frente delas tinha de mantê-las unidas e sob controle. Para fazer isso, ele poderia recorrer a sua capacidade de líder visionário e carismático ou contar com uma ajudinha de Deus. Ou as duas coisas, se ele fosse o escolhido. Há mais de três mil anos, um homem chamado Moisés teria sido esse líder, mas saber se ele contou ou não com a ajuda do Todo-Poderoso é uma questão de fé ou de encontrar alguma prova arqueológica disso.

Réplica da Arca da Aliança
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Réplica da Arca da Aliança

Para muitos, a Arca da Aliança poderia ser essa prova material de que Deus realmente deu uma mão a Moisés na sua missão de conduzir milhares de hebreus, que deixaram a condição de escravos no Egito e sob sua liderança teriam partido rumo a Canaã, a Terra Prometida. O objeto que, segundo as narrativas bíblicas, simbolizou a união entre os homens e Deus seria uma arca de madeira, revestida de ouro, feita para carregar dentro dela os Dez Mandamentos, que teriam sido revelados a Moisés pelo Todo-Poderoso. A Arca da Aliança, no entanto, nunca foi encontrada e é um dos grandes mistérios dentre os muitos que envolvem as três maiores religiões monoteístas do planeta.

Mas diferentemente do Santo Graal e de outros objetos lendários, a Arca da Aliança teve sua aparência minuciosamente descrita e sua história é contada detalhadamente em várias passagens de livros sagrados como o Antigo Testamento e durante séculos, antes do nascimento de Cristo, foram registradas suas movimentações, incluindo descrições do templo que teria sido construído para abrigá-la, quem a teria roubado e a devolvido e onde possivelmente aqueles que a protegiam a teriam escondido. O problema é que desde o século 6 antes de Cristo os relatos sobre ela simplesmente desapareceram.

Além do seu significado religioso e de seu valor arqueológico, a Arca tem alimentado a imaginação das pessoas por conta de supostos poderes sobrenaturais que ela teria. Essas características a tornaram cobiçada por diferentes povos. Dos generais do Império Romano aos Cavaleiros Templários, de monges cristãos aos exploradores contemporâneos, muita gente tem procurado pela Arca da Aliança há mais de dois mil anos em várias partes do mundo.

As principais buscas concentram-se em Jerusalém e no percurso feito por Moisés do Egito até o atual Estado de Israel. Mas há gente que garante que ela está num remoto vilarejo na Etiópia, onde supostamente vivem os descendentes do rei hebreu Salomão, que construiu o templo para abrigar a Arca, com a rainha africana Sabá. Outros afirmam que ela está na Inglaterra para onde os Templários a teriam levado.  

Na próxima página, conheça como e por que Arca da Aliança foi construída e quais são os seus significados históricos e religiosos.

Onde está a Arca da Aliança?

As possibilidades mais plausíveis sobre o destino da Arca da Aliança (se é que ela realmente existiu) são de que ela tenha sido destruída em alguma das invasões de Jerusalém - a mais provável, neste caso, seria a invasão perpetrada pelos babilônios no século 6 antes de Cristo, época em que também cessaram os relatos sobre ela - ou que ela esteja escondida em alguma construção subterrânea na cidade, tese defendida pelo arqueólogo israelense Dan Barat. Mas não faltam teorias da conspiração a respeito do seu destino. Uma delas refere-se aos Cavaleiros Templários. Após a conquista de Jerusalém no ano de 1099, durante a Primeira Cruzada, esses cavaleiros cristãos liderados por Godfrey de Bouillon expulsaram os judeus e muçulmanos e teriam encontrado a Arca da Aliança. Isso explicaria, segundo os que defendem essa teoria, o fato dos Templários terem retornado ricos e poderosos e, provavelmente, eles a teriam escondido em algum local sagrado entre a França e a Inglaterra.

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