O cinema nos anos 70

Autor: 
Sílvio Anaz

Apocalypse Now
Reprodução
"Apocalypse Now", de Francis Ford Coppola,
retrata a insanidade da Guerra do Vietnã,
um dos grandes dramas da sociedade
norte-americana no começo dos anos 70

Em 1971, Woody Allen lançou “Bananas”, filme que anunciou a renovação que o cinema norte-americano passaria nos anos 70. Na década, surgiram alguns dos mais inspirados diretores contemporâneos como Martin Scorsese, Francis Ford Coppola, George Lucas e Steven Spielberg. De um cinema adulto com filmes que mergulharam nas almas de seus personagens, como “Sob o Domínio do Medo” (dir. Sam Peckinpah, 1971), “Laranja Mecânica” (dir. Stanley Kubrick, 1971), “O Poderoso Chefão” (dir. Francis Ford Coppola, 1972), “Taxi Driver” (dir. Martin Scorsese, 1974) e “Apocalypse Now” (dir. Francis Ford Coppola, 1979), a década terminou com o domínio do cinema feito para adolescentes. Teve também o sucesso dos “filmes de catástrofes”, como “Aeroporto” (dir. George Segal, 1970), “Terremoto” (dir. Mark Robson, 1974) e “Inferno na Torre” (dir. John Guillemin e Irwin Allen, 1974).

Apesar de tantos clássicos produzidos por aqueles que estariam entre os maiores diretores de todos os tempos, um filme símbolo dos anos 70 é aquele que alimentou a febre da onda das discotecas. “Os Embalos de Sábado à Noite” (dir. John Badham, 1977) traz John Travolta no papel de Tony Manero, um jovem que trabalha como balconista, sem perspectivas, que encontra sentido para sua vida apenas nas pistas de dança das discotecas de Nova Iorque. Os hits dos Bee Gees, Kool & The Gang e KC & The Sunshine Band, a moda de roupas de poliéstrer e sapatos plataforma e o visual das pistas de dança com seus globos espelhados ficaram eternizados como a marca de uma era.

O sucesso de “Os Embalos de Sábado à Noite” fez com que Hollywood descobrisse nos filmes para adolescentes o caminho para grandes bilheterias. A era do “cinema teen”, que predominaria nas décadas seguintes, avança nos anos 70 com “Guerra nas Estrelas” (dir. George Lucas, 1977), uma obra repleta de efeitos especiais impactantes e uma nova e acelerada linguagem para a ficção científica, e com o sucesso do musical “Grease – Nos Tempos da Brilhantina” (dir. Randal Kleiser, 1978), que traz novamente John Travolta no papel principal, desta vez ao lado da atriz-cantora Olivia Newton-John.

O Bem Dotado
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O filme "O Bem Dotado" foi uma das pornochanchadas
lançadas nos anos 70 pelo cinema brasileiro

A taça do mundo era nossa

O
futebol brasileiro entrou a década de 70 tricampeão do mundo. O
memorável time, que tinha Pelé, Gerson,Tostão e Rivelino, entre outros
craques, conquistou com o tricampeonato a posse definitiva da taça
Jules Rimet. Definitiva enquanto durou, já que o troféu com quase dois
quilos de ouro maciço seria roubado 13 anos depois e derretido pelos
ladrões. A seleção que fez a torcida cantar “a taça do mundo é nossa,
com brasileiro não há quem possa”, para orgulho da ditadura militar,
não repetiria o brilhante futebol nas Copas do Mundo seguintes, de
1974, na Alemanha, e de 1978, na Argentina, para decepção geral.

No Brasil, os filmes do “cinema da Boca” e os patrocinados pelo
mecenato estatal da Embrafilme mostravam as duas faces da produção
cinematográfica nacional. De um lado um cinema marginal representado
por diretores como Ozualdo Candeias, Rogério Sganzerla, Carlos
Reichenbach, David Cardoso e José Mojica Marins, o Zé do Caixão. De
outro, os filmes produzidos pela Embrafilme dos diretores Cacá Diegues,
Nélson Pereira dos Santos, Hector Babenco, Neville de Almeida, Arnaldo
Jabor e Bruno Barreto, entre outros. O resultado ia de filmes
escrachados como “Bacalhau” (dir. Adriano Stuart, 1975), uma sátira do
sucesso “Tubarão” (dir. Steven Spielberg, 1975), ao cinema autoral de
Walter Hugo Khoury , além de uma vasta produção de pornochanchadas,
como “O Bem Dotado, o Homem de Itu” (dir. José Miziara, 1978).