Como funciona o Rosh Hashaná (Ano Novo Judeu)

Autor: 
Julia Layton

O Rosh Hashaná é um dos mais importantes feriados da religião judaica. Talvez você conheça um pouco sobre essa data e saiba que ela tem algo a ver com maçãs e mel e que é um "Grande Feriado" judaico. 

Mas caso não saiba nada sobre o assunto, neste artigo você aprenderá sobre o Rosh Hashaná - a origem do feriado, como ele é celebrado, e do que se trata o "Grande Feriado".

o shofar
O shofar, instrumento de sopro feito de chifre de carneiro, é o maior símbolo do Rosh Hashaná

Começaremos com a pergunta mais básica: o que se comemora no Rosh Hashaná?

Entre muitas coisas o Rosh Hashaná simboliza, para a maioria das pessoas, o Ano Novo judaico. Na verdade, o significado de Rosh Hashaná concentra quatro grandes temas que se interligam. São eles:

  • o Ano Novo judaico
  • o dia do julgamento
  • o dia da lembrança
  • o dia do toque do shofar

O Rosh Hashaná é um dos dois Grandes Feriados da religião judaica; o outro é o Yom Kipur, que acontece 10 dias após o início do Rosh Hashaná. Estes dois feriados formam o período dos Grandes Feriados e, sem sombra de dúvida, é a época mais significativa do ano judaico, onde é dada aos homens a chance de arrepender-se de seus pecados e pedir perdão a Deus. Durante os Grandes Feriados, os judeus purificam as suas almas e têm a chance de recomeçar com a consciência limpa e com a intenção de serem melhores no ano que se inicia.

De acordo com o Talmud (site em inglês), Deus criou a humanidade no primeiro dia do mês Tishrei. Sendo assim, o Rosh Hashaná comemora a criação da raça humana. É um tempo de limpeza e renovação, uma chance de receber perdão e de recomeçar sem pecados. A importância do feriado reflete-se em seus dois dias de observância; a maioria dos feriados judeus é celebrada durante um dia apenas.

 

O calendário judaico

O calendário utilizado em quase todo o mundo é o calendário gregoriano, introduzido em 1582 pelo Papa Gregório XIII. O calendário judaico, que é o calendário oficial em Israel e o calendário religioso para os judeus em todo o mundo, foi instituido por Hillel II por volta do ano de 359. Enquanto o calendário gregoriano baseia-se no sol, o calendário judaico é baseado tanto no sol quanto na lua.

A tradução literal de Rosh Hashaná é "cabeça do ano", e é considerado o ano novo judaico. Mas o feriado não cai no primeiro dia do primeiro mês do calendário judaico. O Rosh Hashaná começa no primeiro dia do sétimo mês, Tishrei, e por isso é como um Ano Novo simbólico (pelo menos em termos do que a maioria das pessoas considera como "Ano Novo"). Na realidade, ele é uma das muitas observâncias que ocorrem durante todo o ano, e este ano novo em particular, sinaliza a oportunidade de deixar os pecados do ano anterior para trás e seguir em frente após receber o perdão de Deus.

Desta maneira, o Rosh Hashaná é o dia do julgamento. Um dos temas mais proeminentes do feriado gira em torno do simbólico "Livro da Vida". A vida de um judeu depende de se ele toma ou não a decisão de fazer correções durante o período do Grande Feriado através do arrependimento (teshuvah), da oração (tfiloh), e da caridade (tzedakah). Este é um momento chave, um tempo para reflexão sobre os erros cometidos, e de decidir perante Deus não repeti-los no próximo ano. Também é uma celebração ao livre arbítrio do homem - tomando a decisão consciente de olhar para dentro de si mesmo, verdadeiramente, ver a sua própria vida e fazer as correções necessárias. Ao exercitar esta escolha que lhe foi dada por Deus, o homem se faz merecedor da misericórdia Divina.

Geralmente, durante o Rosh Hashaná, os judeus dizem uns aos outros "que você seja inscrito e selado no Livro da Vida". O período do grande feriado é a escolha entre vida e morte, virtude e pecado e aqueles que se arrependem estão no caminho certo para serem inscritos no "Livro da Vida", que traz consigo a promessa de um ano bom. A crença é que, durante o Rosh Hashaná, os nomes são escritos no livro e, no Yom Kipur (10 dias depois), o livro é selado. Estes 10 dias são conhecidos como os dias de temor.

O primeiro judeu que chegou ao Brasil

O primeiro judeu que chegou ao Brasil foi o tradutor, Gaspar da Gama, que fazia parte da comitiva de Cabral. Em 1502,  empreendedores judeus, tendo à frente o cristão-novo (judeu convertido ao cristianismo) Fernando de Noronha, arrendou da Coroa Portuguesa as terras recém-descobertas. Esse contrato, previa a exploração comercial do território brasileiro, além da construção de fortalezas para defendê-lo.

Assim como o dia da lembrança, o Rosh Hashaná relembra o quase sacrifício de Isaac, que as tradições judaicas afirmam ter acontecido no primeiro dia do mês Tishrei. Segundo a Bíblia, Deus ordenou a Abraão, pai de Isaac, a sacrificar seu único filho como oferenda. Abraão então constrói um altar e se prepara para sacrificar o seu filho para provar sua obediência e fé em Deus. No último momento, um anjo portador da vontade de Deus impediu Abraão de matar Isaac, e apontou para um carneiro preso pelos chifres em um arbusto próximo. O anjo disse a Abraão para sacrificar o carneiro no lugar de Isaac.

Como resultado, Deus abençoou Abraão. Esta história é recordada durante o Rosh Hashaná para lembrar aos judeus que a submissão diante de Deus é o caminho para alcançar a Sua piedade, e que os verdadeiramente virtuosos não questionam a vontade Dele. Eles agem como Deus manda e são recompensados por sua fé.

O último dos principais símbolos do Rosh Hashaná é o shofar, que é um instrumento de sopro feito de chifre de carneiro. O dia do toque do shofar tem várias implicações, mas existem pelo menos três significados amplamente reconhecidos. Um é relembrar a história de Isaac - Deus poupando sua vida como recompensa à fé de Abraão, o outro, para recordar o carneiro que foi sacrificado no lugar de Isaac.

 

diferentes tamanhos e  modelos de shofars
Existem shofars de vários modelos e tamanhos

Além de rememorar a história de Isaac, o shofar também traz à mente uma coroação. Pelo fato de o Rosh Hashaná ser uma celebração da criação dos seres humanos, ele também é a celebração do reinado de Deus sobre os homens. O toque do shofar anuncia e reafirma Deus como governante de toda a humanidade. O som como de uma trombeta do shofar também serve para agitar a alma de todos os judeus, para acordar o povo judaico para a onipotência e onipresença de Deus, para a chance de receber Sua piedade através da oração e do arrependimento.

Os judeus que vieram para o Brasil

Os judeus que imigraram para o Brasil têm duas origens:

1) vieram da Europa Oriental, de países como a Polônia e a Rússia, são chamados de judeus asquenazis; falavam a língua ídiche; uma parte vivia em pequenas aldeias, chamada de "shtetlach"; 

2) vieram de paises como Egito, Síria e Líbano e, também, Turquia; são chamados de sefaradis; esse grupo era formado pelos judeus que já viviam nos países do Oriente há muitos séculos e também pelos judeus oriundos da Espanha e de Portugal que, no final do século 15, encontraram acolhidas nos países e regiões de maioria islâmica do Império Otomano.  

Para ouvir o som do shofar visite este site (em inglês) do Torah Tots e mova a tela para baixo até "O Shofar".

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