Tão grande era o problema apresentado pela pirataria patrocinada pelo estado que as nações berberes eram mencionadas explicitamente no Tratado de Amizade e Comércio, um pacto de 1778 entre a França (em inglês) e os Estados Unidos (em inglês) [fonte: Yale]. O tratado designa a França para usar seus poderes diplomáticos a fim de proteger marinheiros capturados e persuadir os líderes das nações berberes a refrear a captura de navios americanos.
Esse tratado foi trabalhado exaustivamente por Benjamin Franklin. Ele atuou como um dos primeiros diplomatas dos Estados Unidos e foi promovido a embaixador americano junto à França por Thomas Jefferson em 1785 [fonte: National Archives]. Os Estados Unidos eram aliados da França porque suas relações com outra superpotência - Inglaterra (em inglês) - estavam instáveis. Foi a partir de Paris (em inglês) que Jefferson começou a campanha contra os estados berberes.

Jefferson tentou montar uma confederação de nações para agir contra os berberes. Todavia, seu plano falhou porque precisava do consentimento da França e da Inglaterra [fonte: Gawalt]. Ele teria que esperar até se tornar presidente para desfrutar de autonomia suficiente para tomar conta dos estados berberes. Enquanto isso, os Estados Unidos e a Europa (em inglês) continuaram a pagar tributos e a perder cidadãos e mercadorias para os piratas. Em uma ocasião, um navio americano trazendo tributo para Argélia (em inglês) foi forçado a velejar para Constantinopla para entregar o tributo da Argélia ao rei de lá - com o humilhante comando de desfraldar a bandeira da Argélia no caminho [fonte: Fremont-Barnes].
Pouco antes da posse de Jefferson em 1801, o paxá (governante turco) de Trípoli (em inglês) soltou os membros da tripulação de dois navios americanos recentemente capturados, na condição de que os Estados Unidos aumentassem seu tributo. Se a América recusasse, os estados berberes declarariam guerra aos Estados Unidos. Jefferson ordenou uma expedição naval ao Mediterrâneo, resultando na Primeira Guerra Berbere [(em inglês) 1801-1805]. Na guerra, Túnis (em inglês) e Argélia romperam sua aliança com Trípoli. Durante quatro anos, os Estados Unidos lutaram com Trípoli e Marrocos (em inglês). As batalhas eram, em sua maioria, navais, incluindo o audacioso ataque do Tte. Stephen Decatur ao porto de Trípoli para destruir um navio americano capturado, tirando-o das mãos dos inimigos.
Mas foi em terra - por meio de ação militar e diplomacia - que os Estados Unidos venceram a guerra contra os estados berberes. Usando táticas similares às dos Boinas Verdes atualmente, um contingente de fuzileiros navais americanos desembarcou em Trípoli (o que deu origem à primeira linha do hino dos fuzileiros navais) e identificou grupos de oposição ao paxá. Esses grupos de oposição foram reunidos em uma insurreição que ameaçou o trono do paxá. O resultado foi que Trípoli concordou com um tratado terminando a guerra em 1805 [fonte: Gawalt].
A Segunda Guerra Berbere (1815), sob o mandato do presidente James Monroe, foi mais sangrenta que a primeira. Nessa guerra, os navios dos Estados Unidos bombardearam Túnis e Argélia, capturaram prisioneiros e exigiram tratados que livraram os Estados Unidos do tratado berbere e do tributo extorsivo [fonte: The New American]. A segunda guerra durou menos de um ano e, em seguida, demonstrando seu poder naval, os Estados Unidos pararam de pagar tributo aos estados berberes. Isso provocou um efeito de agitação entre as nações européias. Nas décadas seguintes, a costa do norte da África e os governantes berberes se renderam ao imperialismo europeu [fonte: Encyclopedia Britannica].
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