Os piratas berberes

O Mar Mediterrâneo (em inglês) serviu como plataforma para a pirataria durante milênios. Muçulmanos e cristãos igualmente se envolveram em pirataria, seqüestros e escravidão (em inglês), com o mar servindo como passagem. Mas as nações ao longo da costa berbere (em inglês) se desenvolveram intensamente devido à pirataria. Embora o controle sobre a área tenha mudado de mãos várias vezes desde 1492, a pirataria foi uma fonte constante de receita para a região.

Devido a seu posicionamento geográfico ao longo das rotas de comércio naval entre a Europa (em inglês) e as Índias Orientais (o moderno Oriente Médio), os piratas berberes estavam em uma excelente posição para extrair riquezas da Europa. Esses piratas eram bons em seu negócio: a certa altura do século 17, estima-se que cerca de 20 mil pessoas capturadas pelos berberes eram mantidas presas somente na Argélia (em inglês) [fonte: Encyclopedia Britannica]. A ameaça da pirataria era tanta que foi estabelecido um sistema de tributos. As nações européias que comercializavam no Mediterrâneo e fora dele, pagavam aos estados berberes para impedir os piratas de molestar seus navios e de capturar suas tripulações. Isso deu aos berberes várias fontes de receita: saquear navios, capturar pessoas e aceitar tributos da Europa.

torture by barbary pirates.
Hulton Archive/Getty Images
Uma representação de 1637 de 22 torturas infligidas aos escravos cristãos capturados por piratas berberes

O método de extorsão de resgate também era lucrativo para os piratas berberes. Viajantes abastados capturados podiam pagar para garantir sua liberdade - os que não podiam pagar normalmente eram vendidos como escravos. Essa prática foi tão disseminada que uma ordem católica francesa, a Ordem dos Mathurins começou a coletar donativos para um fundo a fim de pagar resgates de marinheiros capturados pelos piratas da costa berbere.

O contínuo sucesso dos berberes com a pirataria foi, em parte, devido à cumplicidade da Europa. As maiores nações que comercializavam nas Índias tinham diplomatas nos países berberes. Esses diplomatas encorajaram os berberes a saquear navios de outros países em vez daqueles da terra natal dos diplomatas. Durante a Era das Explorações, as nações se pareciam basicamente com corporações (em inglês), com o monarca do país atuando como CEO. Em muitos casos, como a britânica Companhia das Índias Orientais, corporações reais serviam como instrumentos financeiros para construir os tesouros das nações. Assim, os países europeus eram como empresas concorrentes no mercado atual do comércio internacional. Os piratas berberes eram, ao mesmo tempo, uma praga e uma ferramenta útil - eles intimidaram a concorrência das nações menores no Mediterrâneo que não podiam se dar ao luxo de pagar os piratas ou não tinham laços diplomáticos com os berberes.

Os berberes exigiam tributos das nações que comercializavam do outro lado do Mediterrâneo. Estados menores pagavam subornos menores, enquanto nações grandes e poderosas pagavam mais. À princípio, os Estados Unidos entraram na primeira categoria, mas após ter alcançado sua independência, rapidamente caiu no padrão europeu de extorsão sob os estados berberes. Os Estados Unidos até incluíram 80 mil dólares em seu orçamento fiscal de 1784 como tributo aos governos berberes [fonte: Gawalt]. Até 1795, quando os estados berberes perceberam que a jovem nação tinha uma frota significativa de navios mercantes e matérias primas dignas de um continente, os Estados Unidos tiveram que distribuir cerca de 1 milhão de dólares [fonte: Gawalt]. Como os Estados Unidos conseguiram ganhar uma soma desproporcionalmente grande de dinheiro com o comércio com as Índias Orientais, os berberes exigiram aumento de tributos.

Isso representou uma ameaça potencialmente mutiladora para o comércio americano, mas os Estados Unidos, assim como seus correspondentes europeus, estavam dispostos a pagar. A extorsão terminou quando Thomas Jefferson foi eleito presidente. Foi Jefferson quem tomou a primeira posição radical da América contra os estados piratas berberes. Leia sobre Jefferson e os piratas na próxima página.