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| AI-5 |
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Não era proibido proibir. Na contramão dos ideais libertários dos anos 60, um ato do grupo político e militar que governava o Brasil no final do emblemático ano de 1968 mergulhou o país em um período de censura, repressão e medo. Com ele, proibir era a praxe oficial do governo. Proibir a expressão de opiniões contrárias ao regime, proibir que as pessoas exercessem seus direitos políticos, proibir os cidadãos de se defenderem legalmente dos atos abusivos dos governantes.
![]() Agência Estado O AI-5 deu carta branca para a fase mais violenta da repressão durante a ditadura militar no Brasil |
Com ele o pouco de liberdade que restava após o golpe militar se foi. O Ato foi assinado e promulgado pelo marechal Costa e Silva em 13 de dezembro de 1968. Seu conteúdo havia sido aprovado pelo Conselho de Segurança Nacional, com a solitária discordância do vice-presidente Pedro Aleixo. O AI-5 foi uma reação imediata do governo à recusa do Congresso Nacional em permitir que fossem processados dois deputados da oposição, que haviam criticado a falta de liberdade e o regime opressivo em vigor no país. Mas, os 12 artigos do AI-5, que impuseram definitivamente uma ditadura no país, foram principalmente uma resposta do governo à versão brasileira das rebeliões e reivindicações que tomaram conta do mundo em 1968. Nos dez anos em que vigorou ele “legitimou” a censura, a repressão, a tortura, o medo, os mandos e desmandos de uma ditadura militar que, apoiada por grupos políticos e econômicos, ficou no poder até 1985.
Deter o avanço do comunismo era um dos principais ideais que nortearam o golpe de 1964 e boa parte da ditadura militar no Brasil. Em 1968, os militares e seus apoiadores civis no governo e na sociedade enxergavam em qualquer ato de rebeldia estudantil, dos trabalhadores ou de parlamentares a ameaça vermelha. Sob o pretexto das ações “subversivas” que eclodiram em 1968, a ala linha dura do governo pressionou no final daquele ano o presidente Costa e Silva a dar carta branca à repressão. Com o temor de um “golpe dentro do golpe”, ele cedeu. Inspirados no argumento de que “ou a revolução continua ou a revolução se desagrega”, os integrantes do Conselho de Segurança Nacional, entre eles os então ministros Magalhães Pinto, Delfim Netto e Jarbas Passarinho, aprovaram os 12 artigos do AI-5. Assim, a partir de 13 de dezembro de 1968, restringiram-se radicalmente os direitos dos cidadãos brasileiros. O presidente da República ficou autorizado a fazer a intervenção em governos estaduais e municipais, decretar o recesso do Congresso Nacional, cassar direitos políticos, suspender habeas corpus, legislar por decreto-lei, demitir ou aposentar juízes e funcionários públicos, proibir manifestações políticas e fazer o confisco de bens considerados ilícitos. Tudo isso sem a necessidade de nenhuma apreciação judicial. |