Fundamentos acadêmicos: o treinamento mental

Imagine realizar os deveres de um oficial de polícia sem o conhecimento da lei. Provavelmente não seria difícil reconhecer que alguém está burlando a lei se, digamos, você testemunhasse uma invasão ou um acidente com fuga. Mas e quanto às questões mais obscuras? Por exemplo, você poderia arrombar a casa de um suspeito sem avisar e exigir uma confissão dele com tortura? E se você enfrentasse uma situação de violência doméstica com crianças envolvidas?

Como você pode ver, as demandas diárias do trabalho da polícia constantemente levantam questões sobre como impor a lei adequadamente. É necessário um pouco de músculo para atingir um alvo ou derrubar alguém, mas o que define um bom oficial de polícia é saber quando e como agir. Por essa razão, é necessário o cérebro juntamente com os músculos. É essencialmente esse o motivo pelo qual as academias de polícia surgiram nos Estados Unidos há um século: para fornecer aos policiais as ferramentas intelectuais que dão cobertura às ferramentas físicas [fonte: Dantzker (em inglês)].

police academic workMario Tama/Getty Images
O trabalho acadêmico das academias de polícia geralmente envolve lei,
ética, regras e regulamentos sobre imposição da lei

Atualmente, uma parte significativa do tempo da academia de polícia é dedicada à instrução acadêmica e legal. Os recrutas do Departamento de Polícia de Los Angeles, por exemplo, assistem a 105 horas de aulas sobre legislação, que cobrem assuntos como busca e apreensão, crimes contra crianças e o Código Penal da Califórnia [fonte: Academia de Polícia do Departamento de Polícia de Los Angeles (em inglês)]. Além disso, devido à grande parte da população de Los Angeles falar espanhol, alguns recrutas da LAPD (Departamento de Polícia de Los Angeles) aprendem espanhol como parte do treinamento.

Para ter uma idéia mais clara, veja a seguir uma amostra dos cursos de treinamento requeridos pela Academia de Polícia do Departamento de Polícia de Nova York.

  • Olhando em detalhes: melhorando as habilidades de observação durante conflitos.
  • A polícia e a mídia.
  • Coragem sob a raiva: respondendo a interrogatórios adversos.
  • EEO: fato, ficção e a questão da responsabilidade civil.
  • Negociação de reféns.

[fonte: Academia de Polícia do Departamento de Polícia de Nova York]

As aulas acadêmicas também cobrem um tópico que permanece em primeiro plano da imposição da lei: ética.

Uma pesquisa feita em 1997 pela Associação Internacional de Chefes de Polícia descobriu que mais de 80% dos departamentos de polícia dedicam tempo à instrução sobre ética durante o treinamento de recrutas [fonte: Associação Internacional dos Chefes de Polícia (em inglês)], destacando a utilização da força e da diversidade cultural. Sem um treinamento sobre ética, os policiais correm mais riscos de processos alegando abuso de autoridade, violação de direitos civis e discriminação racial [fonte: Associação Internacional dos Chefes de Polícia (em inglês)]. Um dos exemplos mais comuns disso é fazer um perfil racial, quando os oficiais de polícia apreendem suspeitos com base em sua raça.

O treinamento de ética também envolve a compreensão de como tomar decisões sábias no calor do momento. Situações difíceis sempre aparecem, como presos agressivos ou violência brutal, com pouco tempo para se refletir antes de agir. Conhecer os regulamentos do departamento de polícia durante esse curso também pode guiar os novos policiais.

Na próxima seção, descobriremos o que acontece com um recruta depois que ele se forma em uma academia de polícia.

Juramento de honra da polícia

Os policiais recrutas fazem um juramento de honra e servem à lei quando são certificados como oficiais de polícia. Embora os juramentos da academia possam diferir nas palavras, muitos departamentos adotam o juramento criado pela Associação Internacional dos Chefes de Polícia:

"Pela minha honra, eu nunca trairei meu distintivo, minha integridade, meu caráter ou a confiança pública. Sempre terei coragem de aceitar as minhas responsabilidades e a dos outros sobre nossas ações. Eu sempre defenderei as leis, a minha comunidade e o órgão no qual eu atuo".

[fonte: Associação Internacional dos Chefes de Polícia]