Capa do livro O Saci, de Monteiro Lobato
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O primeiro livro publicado por Monteiro Lobato foi uma série de relatos sobre o saci-pererê. A partir daí, o personagem acabou ganhando destaque na maioria de suas histórias
Um conjunto de coisas que o povo sabe, sem saber quem ensinou. Assim é o folclore, e assim são os mitos brasileiros. Todo mundo conhece - ou já ouviu falar - de saci, boitatá, curupira e mula-sem-cabeça. Mas se você perguntar quem criou esses mitos ninguém sabe dizer. Têm origem indígena. Ou africana. Ou portuguesa. Ou as três misturadas. As histórias foram passadas oralmente, de pai para filho desde o tempo do descobrimento - ou até antes dele, no caso dos índios - e foram sofrendo modificações ao longo dos anos.

Hoje, um mito nascido no Amazonas tem versões modificadas ou totalmente diferentes no Sudeste, no Sul e no Nordeste. Caso da Mãe d'Água, índia-sereia na região Amazônica, e sereia-branca na região do São Francisco. Ou da boitatá, cobra de fogo surgida da escuridão no Norte, e de comer olhos de bicho no Sul durante um grande dilúvio. O fato é que, não importa sua origem, as histórias desses seres fantásticos, com poderes sobrenaturais, continuam encantando crianças e adultos. Mesmo que sejam histórias profundamente moralistas, como a da mula-sem-cabeça, ou histórias só para assustar, como a do Mapinguari.